Vote certo

Quem em sã consciência compra um carro, eletrodoméstico, alimento, remédio, cosmético etc que não preste? Por que, então, a maioria do eleitorado diz que “político não presta” e que “são todos farinha do mesmo saco”, e mesmo assim vota em certos, melhor, pouco certos pretendentes a cargos públicos?

Os mesmos 135 milhões de brasileiros convocados para votar amanhã, quando saem para as compras, procuram pesquisar preços, qualidade, procedência, inclusive validade (alimentos ou remédios), para não serem enganados. Por que, enfim, não ter o mesmo cuidado com a pátria? 

A desculpa de desconhecimento dos fatos é esfarrapada, porque hoje são vários os meios de informação – rádio, jornal, revistas, TVs, internet etc –  para identificar os bons e os maus políticos. E mesmo assim o eleitor nem sempre valoriza seu voto, deixa de investigar e apurar quem são os candidatos ficha-limpa e acaba colocando seu sufrágio nas urnas como se estivesse depositando sua cidadania no lixo.  

O voto não é sapato, roupa que, depois de um tempo de uso pelo desgaste ou ainda pelo modismo, se descarta. 

Ao eleger um político, sendo ele probo, dono de bom currículo, não um ficha suja, você poderá deixar legados para muitas gerações. E sem prazo de validade! Porque o eleito vai dignificar nossas instituições e se constituirá exemplo, inclusive para seus filhos, netos, bisnetos e, certamente, irá apoiar projetos que atendam às prioridades da sociedade. Como as reformas constitucionais tão necessárias, abastecimento de água, coleta de esgotos, transporte, aeroportos, portos, estradas, saúde, educação, moradia, além de outros benefícios sociais para o bem-estar da população.

A nossa subestima pela qualidade do voto, há décadas, vem acumulando consequências nefastas para o país. Por esta passividade é que constatamos hoje a corrupção e atitudes vis, a níveis de epidemia, espalhadas nas esferas públicas, principalmente no Executivo e no Legislativo.

Estão, aí, os exemplos mais recentes do mensalão, da Casa Civil do governo Lula, dos governadores do Amapá e do Tocantins, em que comprovadamente milhões de reais foram desviados, em detrimento até da merenda escolar, da saúde, saneamento básico.  

Em boa parte das nossas câmaras municipais, assembleias legislativas e no Congresso é comum a cobrança de mesadas mensais pelos parlamentares para votar projetos do Executivo. Um escárnio! A mídia denuncia, e a Polícia Federal e o Ministério Público comprovam as falcatruas. 

Não por outra razão é que parlamentares indignos gastam até o que não têm para se elegerem, porque sabem que o crime compensa. Políticos sérios são minoria, e não conseguem fazer frente a tanta depravação institucional.

Por isso, pesquisar bem em quem votar pode representar um verdadeiro mutirão na reconstrução ética das nossas instituições. É uma tarefa de Jó. Exige paciência, muita paciência e perseverança. Coisa, talvez, para algumas gerações.

*Jornalista