Um novo desafio à inteligência da polícia

A semana foi farta  de um assustador noticiário policial, que mostrou a volta da conhecida arrogância dos bandidos do Rio – seja em arrastões à luz do dia no trânsito das zonas Sul e Norte, ou num surreal e literal faroeste em que se transformaram algumas comunidades da Zona Oeste.

Em ambas as situações surpreendeu a ousadia nas ações de interrupção de trânsito, no primeiro caso, e na troca de tiros (como numa guerra) entre bandos rivais nas  ruas de Santa Cruz.

Incorrerá em inaceitável erro a cúpula da polícia do estado se analisar as ações de maneira isolada. O que se observa é um movimento para o qual alguns especialistas alertavam quando do início da instalação das UPPs nas primeiras comunidades: o deslocamento dos traficantes de um bairro para outro, e a descida de outros do morro para o asfalto.

No caso dos arrastões, a sofisticação dos líderes da bandidagem é tamanha que eles alugaram as armas aos assaltantes em troca de 20% do produto obtido na ação criminosa. Ou seja, como sempre, os “peixes grandes” não se expõem e faturam, na base da força bruta e da coação, em cima da “raia miúda”.

A inteligência da Secretaria de Segurança tem diante de si um sério problema a resolver. Não há dinheiro nem espaço – nem lógica – para colocar uma UPP em cada esquina. Mesmo uma por bairro talvez seja inexequível. Um caminho é complementar à ação das UPPs com a efetiva entrada do poder público nas áreas carentes, provendo cidadania com mais escolas, saneamento, áreas de lazer, atividades esportivas – de modo que se interrompa a produção futura de aviões ou traficantes.

A questão é o que fazer com aqueles que já estão produzidos – e em plena atividade. Cabe à sociedade organizada debater e exigir soluções. O que não se pode aceitar é a volta do velho clima de insegurança no Rio, da sensação de que voltamos a ficar à mercê dos fora da lei, agora não mais nos morros mas no asfalto, à noite ou de dia.

Esse sentimento não está tão próximo. Mas vai reinstalar-se de vez se houver na cidade outra semana como a que está acabando.