Eleições presidenciais: Dilma e Plínio

Marcos Venícius Barreto Magalhães *, Jornal do Brasil

RIO - O povo vai normatizar o que deve ser feito nos próximos quatro anos. Serra, Dilma, Marina, Plínio e demais demonstrarão as suas competências no trato com os instrumentos da economia a fim de que o eleitor possa identificar o que melhor o estimula para a busca de um maior bem-estar.

Deixaremos de lado aqui as demais questões de políticas públicas, concentrando-nos na economia e em dois dos seus candidatos (Dilma e Plínio).

Traremos à tona a ideologia que poderia estar presente no PT e no PSOL para defender os interesses de alguma classe. Antes, falemos sobre alguns aspectos de crescimento/desenvolvimento, como: 1) nós temos problemas, ou o capitalismo dos países ricos nos trouxeram a pobreza etc?; 2) a industrialização é solução para os problemas brasileiros?; 3) a relação entre os preços dos produtos industrializados e produtos agrícolas provoca prejuízo à nação?; 4) o cidadão brasileiro ainda olha o fato econômico de forma superficial?; etc.

Há diversas correntes, como: 1) aqueles que defendem uma economia sem estado, mas com livre acesso do capital externo; 2) a economia com a presença do Estado, mas este voltado para os interesses do setor privado; 3) a intervenção do Estado para atender aos interesses da nação, com pelos menos duas vertentes: os que defendem reformas como a distribuição de terras, a estatização de alguns setores e com pouca presença do capital externo, e a outra vertente não; 4) e a corrente socialista, que afirma haver conflito entre o capital e o trabalho, e que o capitalismo e suas crises nos conduzirão ao socialismo, e cuja solução é a tomada do poder pelo proletariado.

Dilma e Plínio buscam uma participação do Estado que justifique as siglas e a ideologia de seus partidos socialistas. Eles entendem que o capitalismo vive em crise, e na visão de Marx o lucro declina no longo prazo, conduzindo a crises cíclicas até o advento do socialismo, ainda que com melhoras no percurso.

Para os revisionistas, o capitalismo pode entrar em crise pelo excesso de oferta de bens de capital. Mas, poderá haver a transferência de fatores entre os setores, desaparecendo o excesso. Entretanto, o planejamento (via Petrobras etc), o consumo das terceiras pessoas (funcionários públicos etc), a oferta de crédito e a expansão da massa salarial são capazes de fazer esse ajuste. E o setor externo não é necessário (daí que o Mercosul etc podem deixar de ser importantes para estes governos).

O PT e o PSOL também podem argumentar que as crises capitalistas decorrem de uma demanda insuficiente devido à concentração de renda; e esse subconsumo pode ser resolvido não só pelo aumento da renda do trabalhador como também pelas exportações, pelo aumento dos gastos públicos, pelo Estado presenteando os trabalhadores, ou ainda se os capitalistas deixassem de capitalizar parte da mais-valia.

Apesar disso, e com uma péssima herança do governo petista nas costas, Dilma talvez não passe da execução das políticas neoliberais praticadas pelo governo de seu mentor, como juro, câmbio e superávit primário, com medo de uma reação política.

* Doutorando em administração pública