Larvas podem determinar o dia e local da morte

A pesquisadora janyra oliveira da costa explica que, numa cidade como o rio de janeiro, que costuma ser quente, em dois ou três dias um corpo começa a ficar inflado, com odor forte, em fase gasosa.

Nesses casos, ele perde material para coleta de digitais, o que faz com que a identificação tenha que ser genética.

– graças a um processo digestivo muito particular, as moscas nos auxiliam em qualquer circunstância – observa janyra. – como elas têm um sistema digestório compartimentalizado, e no primeiro compartimento os tecidos ingeridos não sofrem influência de enzimas digestivas e permanecem absolutamente preservados, é possível recolhê-los para análise, permitindo identificar o corpo.

Os insetos chegam ao cadáver quase imediatamente após a morte, e colocam ovos nos orifícios naturais do corpo, como boca e nariz. segundo a pesquisadora, cada estágio de decomposição corresponde à presença de diferentes tipos desses insetos, o que permite que os cientistas saibam quando a pessoa foi morta. janyra explica que é possível determinar o momento da morte pelo tempo de desenvolvimento das larvas de mosca: – como sabemos que as moscas chegam e colocam ovos no mesmo dia da morte, o estágio de desenvolvimento das larvas nos indica o tempo.

Os insetos também podem revelar o local onde a morte aconteceu. para a pesquisadora, isso é uma questão de se conhecer as espécies endêmicas de cada área.

– se alguém foi morto na cidade e seu cadáver levado para uma região de serra numa tentativa de ocultação de corpo, por exemplo, mesmo assim os insetos nos dirão – revela. – será o caso de recorrer ao banco de dados para identificar de que áreas são as moscas coletadas.

Exames toxicológicos mesmo em estágios avançados de decomposição, esses corpos não escapam de exames toxicológicos, ou de análises para determinação da causa da morte. heroína, anfetaminas, cocaína, crack ou carbamato, o popular chumbinho, podem ser detectados nas larvas. da mesma forma, vestígios de chumbo, bário e antimônio são detectáveis, e sua presença indica ferimento por arma de fogo, mesmo que não se encontre uma bala no corpo.

Casos em que os corpos foram carbonizados ou jogados na água também não escondem evidências.

– há certos tipos de besouro que são atraídos pelos ossos – explica. – também um cadáver afogado atrai determinados tipos de inseto. basta saber identificá-los e a que estágio de decomposição eles correspondem.

Segundo janyra, as investigações também valem para crimes sexuais, já que os insetos podem detectar a presença de sêmen no corpo.

– na verdade, ao comerem, esses insetos se encarregam de fazer a coleta de material para que possamos, depois, analisar – diz a pesquisadora.

Com a agência faperj.