O que o inconsciente tem a dizer sobre o ato da adoção

-->FA M Í L I A-->Existem pais que agem como se estivessem r oubando a criança dos genitor es biológicos-->A e xperiência de pais que já têm filhos biológicos e partem par a a adoção , analisada em pes- quisa da F aculdade de F ilosofia, Ciências e Letr as de Ribeirão Pr eto da USP , é car acterizada por intensa car ga emocional, sendo permeada por afetos ambi v alen- tes, alternando aleg rias e triste- zas, conquistas e dificuldades, te- mor es e confiança. A pesquisa da psicólo ga Lívia K usumi Otuka in - v estigou a e xpe - riência da adoção por casais que já possuíam filhos biológicos, desta - cando as f antasias conscientes e inconscientes em r elação ao pr o - cesso de adoção , bem como a f orma como se constrói a par entalidade adoti v a nesses casos. P ar a alcançar os objeti v os pr opostos, f or am en - tr e vistados seis casais. – Eles r e v elar am que a c hegada da criança ao lar tr ouxe inten - sas aleg rias, bem como pr eo - cupações e dificuldades – e x - plicou a pesquisador a. Lívia disse que, na tr ansição par a a par entalidade adoti v a , e s- ses desafios puder am ser enca- r ados e super ados par a a cons- trução do r elacionamento afeti v o entr e pais, filhos e irmãos. – O s filhos biológicos mostr a - r am-se bastante empenhados nos cuidados do irmão adoti v o , segundo o r elato dos pais – obser v ou. – Eles par ecem, tam - bém, ‘adotar’ a no v a criança. A partir do discur so dos ca - sais, f or am identificadas di v er sas f anta - sias que permeiam o uni v er so da adoção , já discutidas na li - ter atur a científica. Entr e elas, a pesquisador a f az r eferência à f antasia inconsciente de r oubo do filho adoti v o . – O s pais sentem como se es- ti v essem r oubando a criança de seus genitor es biológicos, como se a adoção corr espondesse, no plano inconsciente, a um ato deliti v o – analisou. – P ar ece ha - v er , ainda, um temor de que a mãe biológica possa r etornar e r ei vindicar a criança.-->A impor tância do ambiente saudável-->As entr e vistas f o r a m analisa- das qualitati v amente, a partir da teoria pr oposta pelo psicanalista inglês Donald W oods W innicott (1886-1971), que dá ênf ase à i m- portância do ambiente par a o de- sen v olvimento da criança. Nesse conte xto , a pesquisador a consider a de vital importância as vi vências de cuidados par entais du - r ante a primeir a infância, pois elas influenciam no modo como a pessoa irá se desen v olv er posteriormente. – De v e-se consider ar que fu- tur as dificuldades apr esentadas pela criança podem estar r ela- cionadas a e xperiências bastante antigas, até mesmo anterior es ao pr ocesso de adoção – obser v ou Lívia. – As vi vências de a bandono pr ecoce podem r eper cutir poste- riormente na f orma como ela irá se r elacionar com seus pais ado- ti v os, podendo mostr ar -se e xtr e- mamente sensív el a qualquer possibilidade de separ ação . P a r a Lívia, os pr ofissionais en- v olvidos com a temática da ado- ção no Br asil pr ecisam f acilitar e f a v or ecer condições par a a construção de ambientes f ami - liar es saudáv eis: – São elementos fundamentais par a que a f amília se constitua em um espaço pri vilegiado de tr ans - missão e construção de v alor es, sa - ber es, práticas e tr ocas afeti v as.-->Para os pais, a adoção corr esponderia, no plano inconsciente, a um ato delitivo-->RECEIO – Pais têm fantasia inconsciente de per da dos filhos adotivos para mãe biológica-->Da Agência USP