PM saca arma e apreende material de campanha de vereadora

O primeiro dia de campanha eleitoral começou sob tensão no Rio de Janeiro. Um policial militar fardado, que se identificou como sargento Silva Neto, sacou arma de seu coldre, ontem pela manhã, na barca que seguia de Niterói para o Rio de Janeiro. O gesto extremo foi o ápice de uma grande discussão que começou no andar de cima da embarcação, quando a vereadora do PSOL Talíria Petrone, candidata a deputada federal, quis tirar uma selfie com quatro assessoras de campanha.  O policial alegou que elas estavam fazendo campanha eleitoral, apesar de o grupo afirmar que  estava segurando o material de campanha sem expor o conteúdo. Talíria Petrone chegou a dizer, ao perceber o policial com a arma em punho: “Arma mata!”. E ele respondeu segundos depois: “Ideologia também mata! Ideologia mata mais!”.  O material foi apreendido, e todos os envolvidos no conflito foram para a 4ª Delegacia Policial (Praça da República). 

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Fotojornalista do JORNAL DO BRASIL, Bruno Kaiuca registrou o clima de tensão com fotos e vídeos. O policial ordenou que Kaiuca lhe entregasse suas identificações profissional e civil: “Com todos na delegacia, o policial arrancou minha mochila por trás, sob alegação de que era prova de um crime”. Agiu da mesma forma com a própria vereadora e com um advogado, que entregou ao policial sua carteira da Ordem dos Advogados do Brasil. 

Imagens do vídeo mostram passageiros afirmando que não foi feita na embarcação qualquer panfletagem.  Em entrevista ao JB, Talíria disse que o policial, ao vê-la fazendo um selfie com as assessoras, chegou a bater em seu celular: “Não houve panfletagem, estávamos tirando apenas uma foto, quando ele chegou de forma brutal”, afirmou. 

Ela acrescentou que o momento em que o policial sacou a arma foi logo após uma discussão com um rapaz que falava ao celular. Como o jovem, que argumentava contra a ação do agente de segurança  se negou a lhe passar o celular, como ele exigira, o policial, conta a parlamentar, tirou a arma da cintura, dando voz de prisão a ele.  

O fotojornalista do JB disse que o rapaz que recebeu ordem de prisão  foi tentar fazer uma foto do policial, mas o PM disse que iria tirar o celular dele.  “O policial chegou a pegar o rapaz pelo colarinho”, conta Kaiuca, que detalhou o ocorrido: “Quando cheguei à cena, o policial estava alegando que a vereadora e sua equipe estavam panfletando, que isso não era permitido”. Bruno Kaiuca disse também que o policial queria chegar perto do material de campanha, e a vereadora e suas assessoras disseram que ele não tinha o direito. 

A assessoria de imprensa da PM enviou a seguinte nota: “Durante policiamento de rotina, na manhã desta quinta-feira (16/08), no interior de uma barca da CCR Barcas que fazia o trajeto Niterói-Rio de Janeiro, policial militar foi alertado por um tripulante que um grupo planejava fazer panfletagem de propaganda eleitoral no interior da embarcação, o que é proibido pela legislação vigente. Na abordagem ao grupo, que transportava pacotes de panfletos de propaganda eleitoral, houve princípio de tumulto. O policial militar, em serviço através do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis), achou por bem encaminhar o caso para a 4ª DP (Praça da República). Vale lembrar que, embora já seja permitida a propaganda eleitoral, o artigo 14  da Resolução 23.551, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proíbe a veiculação dessa prática em transportes públicos”.  

Segundo a assessoria de imprensa da CCR-Barcas, o policial estava a serviço do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis), que fez um convênio com a CCR-Barcas. 

Ontem, na saída da 4ª DP, a vereadora afirmou que outro policial militar tentou impedir que ela e sua equipe levassem o material de campanha. O novo incidente só terminou quando o delegado interveio, e os panfletos foram liberados.