Os ônibus sumiram: Passageiros reclamam da extinção de linhas

Prefeitura diz já ter aplicado 2.681 multas a consórcios

Seja na Zona Sul ou na Zona Norte, não faltam queixas de linhas de ônibus que, de um dia pro outro, desapareceram. Outras, apesar de continuarem existindo,  tiveram seu trajeto alterado sem nenhum aviso prévio à população. O resultado é muita indignação dos passageiros que, surpreendidos, não sabem com que linhas, de fato, podem contar. Em Laranjeiras, o sumiço de duas delas têm irritado moradores. Primeiro, desapareceram as linhas 569 e 570. Como substitutas, vieram a 581 (Leblon - Cosme Velho) e 582 (Leblon - Urca). Mas a alegria dos passageiros durou pouco. Desde o início do ano, com estas duas linhas também extintas, os moradores iniciaram uma movimentação junto à Prefeitura. Em fevereiro, promoveram uma pressão comunitária ligando para a central 1746. As linhas até voltaram a circular, mas sumiram de novo. Recorreram, então, a um abaixo-assinado virtual para sensibilizar as empresas de ônibus. Apesar das 1.500 assinaturas recolhidas até agora, nada mudou. 

“Se eu quiser ir de Laranjeiras ao Jardim Botânico, bairro vizinho, não consigo ir direto por falta de ônibus. Preciso passar por vários bairros, no 583. Com o sumiço do 581, nos tiraram o único ônibus que passava pelo Túnel Rebouças”, conta a produtora de cinema Helena Dias. Também moradora de Laranjeiras, Rosane Monteiro diz que o sumiço desta linha de ônibus prejudicou a vida de um de seus filhos, aluno da PUC. Se antes o coletivo o deixava direto na porta da faculdade, agora, além de um trajeto mais demorado para chegar à Gávea, o ponto de ônibus fica mais longe da instituição.“A mudança foi só para atrapalhar a nossa vida”, sentencia.

Outro alvo de reclamações foi a mudança de itinerário da linha 497 (Penha - Laranjeiras), que deixou de ir até o Cosme Velho. 

Já na Zona Norte, moradores do Grajaú classificam a linha 436 (Grajaú-Leblon) como lenda. Uma placa na Praça Edmundo Rêgo indica a 423 como sua substituta, mas nenhuma das duas é encontrada. “Sempre íamos à praia no 436. Pelo Rebouças, era muito mais fácil chegar ao Leblon. Mas faz meses que o ônibus sumiu”, denuncia o analista de sistemas André Felizberto, de 39 anos: “Pior é para quem usa para trabalhar todos os dias. Comparado ao 434, que ainda circula por aqui, o 436 representava uma economia de tempo de até uma hora.” Questionada sobre a fiscalização das linhas de ônibus, a Secretaria Municipal de Transportes informou que monitora constantemente as linhas e que “caso irregularidades sejam identificadas, o consórcio é autuado”. Ainda de acordo com a SMTR, 2.681 multas já foram aplicadas a cinco consórcios distintos. 

Segundo o RioÔnibus (Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade), em função da crise, “a prioridade (...) é não deixar a população  desassistida até que o trabalho de reestruturação do sistema seja concluído” e que “todos  os esforços estão sendo empenhados  para  normalizar o sistema o mais rápido possível”.