Hotéis e pousadas das serras reagem com o feriadão

Feriadão prolongado, friozinho das serras a no máximo três horas do Rio de Janeiro, refeições regadas a vinho tinto e gastronomia inesquecível. Cenário ideal. Só que entre esse cenário ideal e os hotéis e consumidores, ainda restam os estertores da greve dos caminhoneiros. O movimento perde intensidade e, até agora, a maioria tem conseguido manter as reservas. No Centro e arredores de Petrópolis, na serra fluminense, a taxa de ocupação está em 86,2%, conforme a Turispetro. 

Na Pousada Tankama, no Vale do Cuiabá, perto de Itaipava, a ocupação dos 16 chalés está em 94%. Otimista, o funcionário Bruno Ururahy aposta que as reservas vão chegar a 100%. O otimismo baseia-se em dados concretos: “Temos informações de que os postos próximos já estão abastecidos, de acordo com os jornais locais”. A Locanda de la Mimosa, na Fazenda Inglesa, até agora também não sofreu abalos. No último fim de semana ela recebeu um casamento que lotou os 20 quartos. “Para o próximo, por enquanto, todas as reservas estão confirmadas”, comemora a assessora de imprensa, Laura Cavallieri. No Hotel Rosa dos Ventos, em Teresópolis, a taxa de ocupação de 70% está mantida, “sem cancelamentos”, conforme o funcionário Vinícius Marcelino. 

Para quem já enfrentou a febre maculosa sem ter um único animal transmissor de carrapatos, ameaças de temporais que não se concretizaram, entre outras intempéries, a Pousada Alcobaça, em Correas, distrito de Petrópolis, chega praticamente ilesa à mais nova ameaça: houve apenas um cancelamento nas reservas dos 12 quartos, que ainda pode ser revertido. A casa de estilo normando, de 1914, com um chalé, dispõe de abastecimento próprio com a gigantesca horta terceirizada dentro da propriedade, fator da maior importância sobretudo para os clientes que cultuam a cozinha da casa. “Temos postos de combustível próximos, acredito que não haverá maiores problemas”, torce Guilherme Lacombe, que ajuda sua mãe, Laura Goes, a tocar o negócio. 

Na região da Serra da Mantiqueira, em Visconde de Mauá, 70% das reservas estão mantidas. Como o posto local estava sem combustível desde o último sábado, o presidente da MauáTur, Paulo Roberto Gomes, conseguiu da Petrobras a promessa de que o caminhão vai subir a serra nesta quarta-feira e a situação tende a se normalizar. “Aleguei que além dos hotéis, Mauá tem escolas e postos de saúde”, completa ele. Segundo Norma Buhler, proprietária do Hotel Buhler – um dos mais antigos de Mauá, cujo embrião nasceu em 1913, quando seus antepassados alemães chegaram ao Núcleo de Mauá -, a maioria das reservas para os 20 chalés ainda não foi cancelada. “Não estávamos totalmente lotados, tínhamos 70% das reservas para famílias, é bastante gente. No entanto, acredito que elas só serão confirmadas se a greve terminar”, especula. 

Falta de combustível 

Para o bucólico Aubèrge Suisse, em Nova Friburgo, na serra fluminense, também com 12 chalés, a situação é dramática porque, ao contrário de Petrópolis e seus arredores, não há postos de combustível nas imediações. “No último fim de semana os clientes chegaram trazendo galões nos carros. Tivemos um cancelamento para esta terça-feira e resolvemos fechar até quinta. Temos reservas para 80% dos chalés, mas se a greve não acabar teremos de devolver o dinheiro e cancelá-las”, argumenta o recepcionista Charles dos Reis Dias. O Parador Lumiar, próximo a Nova Friburgo, também sentiu o impacto da greve. Segundo o proprietário, Marcelo Fontes, no último final de semana o hotel estava com 12 dos 13 chalés reservados, “porém, metade dos hóspedes adiou a viagem. Eles ficaram com prazo de 180 dias para a remarcação, para não perder o sinal do depósito.” Assim como a Alcobaça, eles também dispõem de uma horta, uma mão na roda numa hora dessas. 

No Hotel Donati, situado no Parque Nacional de Itatiaia, construído em 1931, antes, portanto, da criação do parque, as reservas estão sendo transferidas para datas posteriores. Contudo, o único feriado deste tamanho, com direito a dia da semana enforcado, só acontece em 15 de novembro. Segundo a funcionária Erika Sumiyoshi, os 20 quartos dos chalés estão sendo monitorados e “se a greve for cancelada, os clientes serão convocados.” 

A essas alturas, para quem depende de datas como estas para garantir a sobrevivência durante um resto de ano com perspectivas de vacas magras em função da crise, independente da qualidade da hospedagem oferecida, só resta ao setor manter a torcida até o feriadão.