Colégio Militar completa 129 anos de excelência no ensino

Quem entra nos imponentes portões do Colégio Militar do Rio de Janeiro se depara com uma bela paisagem, privilegiada pelas palmeiras imperiais e letreiros postados na parede: linha histórica do tempo. O painel propõe uma viagem dos idos de 1802  até os dias atuais. A instituição de ensino, a primeira militar criada no país, completou ontem 129 anos de existência, mantendo a tradição de excelência na formação dos alunos e se destacando pelo bom desempenho em exames de avaliação. São exemplos o Exame Nacional do Ensino Médio e vestibulares, com uma média de mais de 70% de aprovação de seus alunos.  

Na era da tecnologia e das redes sociais, em que os tempos são outros, o Colégio Militar do Rio de Janeiro se modernizou, porém não perdeu a sua essência. É o que explica o comandante do colégio, coronel Himario Brandão Trinas. Parte do segredo da excelência no ensino, apontado pelos melhores resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, talvez esteja na qualidade dos docentes selecionados e pela manutenção dos valores do Exército, de disciplina e hierarquia. “A tecnologia vai avançando, mas acreditamos nos valores e na disciplina que o aluno precisa ter para estudar e se preparar. Esse planejamento de focar nos objetivos é um estímulo e um diferencial nosso”. A instituição, de acordo com o oficial, também possui um caráter assistencialista, ajudando os estudantes que têm dificuldades na aprendizagem. “Temos um sistema para recuperar os alunos e trazê-los para um nivel compativel ao do colégio militar”, explica. 

De pai para os netos 

De pai para filho e para netos. Essa é a história da  família do coronel Himario. O pai, o coronel de reserva Himario Lima das Trinas, iniciou a tradição de estudar no primeiro colégio militar do Brasil. A família já está na terceira geração e incorpora a mesma tradição, mantida pelos filhos e netos, Juliana Gavião Trinas e Guilherme Gavião Trinas, também alunos da instituição. O diretor do Colégio conta que se inspirou no pai para ingressar na carreira militar.  “Entrei aqui aos 7 anos e meus irmãos também estudaram aqui. Meu pai foi professor durante 35 anos. Minha irmã só não passou pelo colégio porque na época as meninas  não eram aceitas.” Sua esposa, a major Tatiana Gavião, chefe da seção de saúde, trabalha na instituição. Os dois, por sinal, casaram-se na capela da instituição. “Fui apresentada aos meus sogros no baile pelos 100 anos do Colégio Militar”, completa a major. 

O vínculo do coronel Himario com o Colégio Militar, portanto, não poderia ser maior. “O colégio contribuiu para minha maneira de ver o mundo e me proporcionou um aprendizado com valores, tradição e disciplina. Foi assim que fui despertado para a carreira das armas. Me sinto muito feliz na profissão que escolhi”, conclui com emoção.