Cremerj denuncia que Ministério da Saúde só vai resolver 4% do déficit dos profissionais no Rio

Das 3.592 vagas autorizadas para a contratação temporária de profissionais de saúde, que servirão para atender nove unidades de saúde federais do Rio (seis hospitais e três institutos), só 140 delas são efetivamente novas. É o que denuncia o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Nelson Nahon, depois da reunião de ontem com o Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) da pasta. Os novos postos representam apenas 4% do contingente autorizado. Ou seja, 96% das vagas oferecidas são antigas. 

Segundo o presidente do Cremerj, o Ministério da Saúde já havia reconhecido, há cerca de duas semanas, durante reunião realizada com a representantes da Defensoria Pública da União (DPU), que faltavam, pelo menos, 2.000 profissionais nas unidades de saúde federais do Rio. 

“Voltamos à estaca zero. O déficit de recursos humanos nos hospitais e institutos federais do Rio é enorme, principalmente no Hospital Federal de Bonsucesso, no Hospital Federal do Andaraí e no Hospital Federal Cardoso Fontes, e o Ministério da Saúde está negando essa falta de médicos,  abrindo tão poucas vagas, contrariando até mesmo uma ação na Justiça que determina a obrigação de mais contratações”, destacou Nahon, que decidiu abandonar o encontro em forma de protesto, depois de receber a informação sobre o número de vagas que seria aberto. “É um total desrespeito à população. É uma brincadeira com a vida das pessoas”. 

Ainda de acordo com o Nahon,  o Ministério do Planejamento publicou, no último dia 28, uma portaria interministerial autorizando a contratação temporária de 3.592 profissionais, mas segundo o diretor do Departamento de Gestão Hospitalar, Alessandro Magno Coutinho, a grande maioria dessas vagas servirá para renovação de contratos encerrados ou próximos do fim, e não para ampliar o número de contratos. Daí a diferença constatada de 3.452 vagas. 

Ministério nega 

Procurado, o Ministério da Saúde informou, através de nota, que “o número de profissionais previsto para os seis hospitais (Lagoa, dos Servidores, de Ipanema, de Bonsucesso, do Andaraí e Cardoso Fontes) e dois institutos do Ministério da Saúde (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia e Instituto Nacional de Cardiologia) no Rio de Janeiro é de 3.592, para apoio à assistência, em novo edital para processo seletivo publicado nesta semana, para o qual são realizadas inscrições até 30/04”. 

Segundo as informações divulgadas pela pasta, tais profissionais “atuarão dentro da ação, traçada pelo Ministério da Saúde, de reestruturação da rede para ampliação em 20% os atendimentos de Oncologia, Cardiologia e Ortopedia, apontados como as grandes demandas atuais em alta complexidade no Rio de Janeiro”.

Sobre os três hospitais federais do Rio que possuem setor de emergência (Bonsucesso, Andaraí e Cardoso Fontes), o ministério informou que as unidades receberão médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem de um processo seletivo anterior.

Déficit afeta emergências 

Ontem, o Hospital Federal do Andaraí suspendeu as cirurgias de alta complexidade, por falta de instrumentadores cirúrgicos. No último dia 24, a emergência do Hospital Federal de Bonsucesso, que havia sido inaugurada há menos de um mês, foi fechada por falta de profissionais de diversas especialidades. A decisão foi tomada pela direção do corpo clínico da unidade, com apoio do Cremerj. 

A emergência do Hospital Federal de Bonsucesso, que custou R$ 23 milhões aos cofres federais, só foi construída depois de sete anos de os atendimentos serem feitos, de forma improvisada, em dois contêineres. No fim do mês passado, antes do fechamento da emergência, o JORNAL DO BRASIL flagrou diversos pacientes que não conseguiram atendimento na unidade.