Organização Social diz que só pagará indenizações a demitidos de UPAs quando receber do estado

A recepcionista da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Botafogo Luciana Simone não escondia a apreensão com o futuro. Ontem, a Organização Social (OS) Cruz Vermelha assumiu a UPA do bairro da Zona Sul, que, até então, vinha sendo administrada pela OS Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ), que anteontem teve seu contrato rescindido pelo governo do Estado do Rio. Todos os funcionários da associação privada serão demitidos. Ocorre que, segundo a assessoria de imprensa da HMTJ, não há recursos para pagar as indenizações dos empregados não só da UPA de Botafogo, como também das unidades de Copacabana, Tijuca e Jacarepaguá, além do Complexo Regional da Mãe, em Mesquita, e do Hospital da Mulher, em São João de Mereti, na Baixada Fluminense, que também eram gerenciadas pela HMTJ e que também tiveram o contrato rescindo com a OS.

 A HMTJ argumenta que há uma cláusula contratual com o governo do estado na qual os pagamentos de indenização são condicionados à garantia dos repasses da administração estadual. A OS diz que tais repasses não foram feitos em sua totalidade, gerando uma dívida de R$ 500 milhões. A consequência desse imbróglio recai sobre o trabalhador. “Não recebi até hoje o 13º e o salário está atrasado há dois meses”, conta a recepcionista.

Ontem, na UPA de Botafogo estavam presentes alguns servidores da Secretaria estadual de Saúde. Funcionários da OS HMTJ reclamavam das condições de trabalho. O porteiro Max Santos não economizava nas críticas. “Estamos sem uniforme e a comida servida está cada vez pior. Não temos informações sobre nosso futuro”, afirmou ele. 

A HMTJ disse, por sua assessoria de imprensa, que fazia um serviço de excelência em unidades como o Hospital da Mulher, mas a unidade passou a conviver com problemas gerados pelo atraso dos repasses de recursos.   A HMTJ informou ainda que, embora pressione o governo do estado para que libere as verbas referentes às dívidas trabalhistas, vai recorrer à Justiça para receber os R$ 500 milhões que ela diz que tem a receber do próprio governo do estado. Segundo a organização social, a administração estatual troca os gestores sem pagar suas dívidas com a empresa. 

A Justiça bloqueou contas da HMTJ. Em todas as UPAs administradas pela gestora, os salários estão atrasados. O modelo de OS também gerou dívidas trabalhistas em unidades como os hospitais Albert Schweitzer e Melchíades Calazans. O modelo de OSs foi aprovado na Assembleia Legislativa em 2011, sob intenso protesto em frente à Alerj. Os manifestanes diziam que o governo estava privatizando a saúde.

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