Ato em defesa da democracia e por  Marielle e Anderson aproxima esquerda no Circo Voador

O ato tinha data, local e hora marcados, mas a pauta modificou-se ao longo da convocação pelas redes sociais, produzindo três cartazes distintos. O primeiro deles divulgava a pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim e Lindbergh Farias a presidente da República, governador do Estado do Rio e senador, respectivamente. O segundo estampava como título “Ato contra o fascismo”, com a foto de Lula e da vereadora Marielle Franco. O terceiro, e definitivo, trazia as fotos do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), de Lula e da pré-candidata à presidência pelo PC do B, Manuela D’Ávila, em defesa da democracia e por justiça para Marielle e Anderson. No fim das contas, o evento ontem no Circo Voador serviu para materializar o que o terceiro cartaz sugeria apenas imageticamente: a aproximação das esquerdas. 

Segundo os políticos ali presentes, o clima eleitoral foi trocado pelo protesto contra a barbárie no país, em que se insere a execução da vereadora Marielle Franco, o assassinato dos cinco jovens em Maricá e os tiros nos ônibus da caravana de Lula pelo Sul do país. “Houve uma mudança, sim, porque o importante é mostrar uma esquerda unida contra a barbárie. O Ciro (Gomes, pré-candidato à presidência pelo PDT) só não veio porque está na Europa”, afirmou  o vereador  Reimont Luiz (PT-RJ).

O deputado estadual Eliomar Coelho (PSOL) disse que o ato demonstrava mesmo uma união contra atos políticos associados à violência. Mas acrescentou que conversas com os três partidos ali presentes são previsíveis. Muito abatido, o deputado estadual Marcelo Freixo também deu ênfase à barbárie como ato político: “Eu perdi uma filha com a morte da Marielle”. Freixo, contudo, disse que haverá conversas, sim, com o PT, nas quais a autocrítica tem de dar o tom. “Claro que a gente tem diferença, e elas são importantes para provocar uma autocrítica em todos nós”. Freixo, em um dado momento, se dirigiu a Lula. “A gente, Lula, vai conversar com franqueza,  não escondendo os erros que nós cometemos, mas nossa diferença é menor em relação à luta de classes”, disse o deputado do PSOL.  

Lula foi o último a falar para um Circo Voador lotado. Ele estava sentado ao lado de Freixo antes de se levantar. Dirigindo-se muitas vezes ao cantor e compositor Chico Buarque, disse que o atual governo federal está tirando postos de trabalho ao desmantelar, por exemplo. a indústria naval. Fez severas críticas à Rede Globo, ao procurador Deltan Dallagnol, ao juiz Sérgio Moro e ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “Eles não vão conseguir prender meu pensamento. Precisamos fazer a regulação nos meios de comunicação. Não se pode ter meia dúzia de famílias mandando na comunicação do país”. Lula deu uma pausa em seu discurso para anunciar a chegada da mãe (Marinete Franco) e da irmã (Anielle Silva) de Marielle. E ressaltou as candidaturas à presidência à esquerda, além da sua própria. “Acho um luxo para esse país ter candidatos como a de Guilherme Boulos (pré-candidato pelo PSOL, ausente onten) e Manuela D’Ávila. 

Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores e pré-candidado do PT ao governo do Estado do Rio, disse que o PSOL, o PC do B e o PT querem a mesmna coisa. “Estamos lutando contra a escalada facista semelhante à que ocorreu na Alemanha de Hitler. A intervenção não está defendendo os mais vulneráveis. A intervenção não foi capaz de proteger a Marielle, não foi capaz de defender os meninos de Maricá”. 

Tarcísio Motta, vereador do PSOL e pré-candidato a governador do estado pelo partido, citou a morte de Marielle e os tiros nos ônibus da caravana de Lula no Sul, para exemplificar o ataque à democracia, demonstrando também a sintonia entre os discursos. Monica Tereza Benício, viúva de Marielle Franco, puxou o coro: “Por Marielle eu digo não à intervenção”. A deputada federal Jandhira Feghali falou sobre uma possível aliança de esquerda nas eleições estaduais. Ela e o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, chegaram a sugerir semanas atrás a candidatura de Marcelo Freixo para governo do estado. Freixo não concordou, reforçando a pré-candidatura do vereador Tarcísio Motta.

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