Borboletas que escaparam da extinção já podem ser apreciadas nas matas em áreas verdes do Rio

Elas começam a surgir nas florestas e áreas verdes da cidade, com a beleza de suas asas azuis que se mesclam a tons prateados. Chegam a ser fosforescentes. Entre fins de março e início de maio, as azulonas (Morpho menelaus) escapam das crisálidas, onde os lagartos que as sucederam permaneceram se alimentando até fevereiro.  Um dos locais de mais fácil observação é a Pista Cláudio Coutinho, na Praia Vermelha, na Zona Sul, onde elas ficam bem próximas dos visitantes, especialmente pela manhã, a até três metros do solo. 

As azulonas se concentram sobretudo próximo ao acesso à trilha do Morro Cara do Cão, onde, nos fins de semana, as pessoas se juntam para apreciá-las e tentar captar imagens em suas câmeras e celulares. O que não é nada fácil, porque elas não param quietas, estão sempre em movimento. As mais belas são os machos — como ocorre com algumas espécies animais, a exemplo dos pavões —, que nessa época do ano começam a exibir seu esplendor às fêmeas nas trilhas naturais das matas. São elas que escolhem seus parceiros, atraídas pela beleza das asas. 

As fêmeas, por sua vez, são um pouco menores que os machos e têm uma barra negra na extremidade das asas — se parecem com a Capitão-do-Mato (Morpho helenor), presente o ano inteiro na natureza. Elas costumam permanecer no interior das matas, só saem para as trilhas para copular com seu eleito, conforme explica o biólogo Alexandre Soares, do Departamento de Entomologia (especialidade que estuda borboletas e insetos em geral) do Museu Nacional. A boa notícia, segundo o biólogo, é que elas não estão em extinção. 

Uma espécie de dancinha, comumente observada, na realidade, é uma disputa entre machos pela fêmea que os escolheu. O ciclo de vida das azulonas tem início com a cópula, realizada durante esse período em que elas estão mais visíveis. Depois, a fêmea desova os ovinhos em uma planta, de onde saem os lagartos. Estes, permanecem se alimentando de uma planta chamada arco de pipa e do líquido formado pelas frutas maduras que caem no solo, até fevereiro do ano seguinte. Em seguida, transformam-se em crisálidas. Estas começam, então, a emergir para o meio ambiente em fins de março até início de maio.  

No auge da temporada elas também podem ser vistas em áreas urbanas, entretanto, este tipo de aparição não é comum, por conta da aversão que as azulonas têm ao calor emanado do concreto e do asfalto.

Caça predatória 

Durante os anos 60, muita gente caçava as azulonas nas matas para decorar os pratos e bandejas comercializados em pontos turísticos da cidade. Esta caça predatória, porém, foi controlada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que autorizou famílias de estrangeiros de Santa Catarina a formar criadouros com este fim. Hoje, só é permitida a comercialização de material certificado. “São indústrias que passam de pai para filho e tendem a acabar. Comercializam produtos cafonas e politicamente incorretos”, desdenha Soares, que se define como um Leptopterofilo, ou amigo das borboletas, sempre observando os hábitos desses insetos para transmiti-los ao público leigo.