General Braga Netto quer prestar contas em quatro meses

Em apresentação para cerca de 150 empresários cariocas reunidos ontem na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), o general Braga Netto, interventor federal na segurança do Estado do Rio de Janeiro, não adiantou muitas questões sobre ações e verbas para a execução do projeto de pacificação no Estado do Rio. Ele afirmou que só “pretende aparecer quando tiver números e resultados a apresentar” e se comprometeu com a presidente da ACRJ, Angela Costa, a voltar à sede da entidade para “prestar contas dentro de quatro meses”. 

O general insistiu que sua principal missão atualmente é “organizar as polícias, civil e militar, e impor choque de disciplina e de hierarquia”. E fez uma apologia da hierarquia e da disciplina para justificar sua postura na primeira entrevista à imprensa, quando só aceitou perguntas por escrito: 

“Fizemos um media training e ficou decidido que as perguntas teriam de ser feitas uma de cada vez, por escrito, sem réplicas. A coletiva estava marcada para as 10 h. Às 10h01 entrei e a porta foi fechada. Três esquipes de TV ficaram de fora. Foi um choque para alguns, mas isso é disciplina. Minha filha depois me falou que percebeu que eu estava ‘desconfortável e contrariado’. Então, perguntei: ‘Você notou?’ E ela: ‘Claro, quando você não gosta, você levanta a mão es querda”’, brincou o general, arrancando alguns risos na plateia.

Tráfico de armas  Braga Netto disse que o tema do tráfico de armas de países vizinhos “está na mira dos órgãos de segurança”. Ele minimizou a ameaça do ingresso de armamento dos guerrilheiros das FARCs (as forças armadas revolucionárias da Colômbia), mas, admitiu, que as consequências da crise econômica da Venezuela estão sendo “monitoradas com atenção”.

 O general explicou que, com a aguda crise econômica no país, antigos integrantes das milícias armadas criadas no governo bolivariano de Nicolás Maduro “encontram-se em dificuldades financeiras e podem ser tentados a vender fuzis e armas pesadas por R$ 25 mil ou até por R$ 50 mil, como me informam meus universitários”, referindo-se aos ajudantes de ordens que o acompanharam no evento.