Adriana Ancelmo diz que nunca recebeu "nenhum centavo" de esquema criminoso

A mulher do ex-governador Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo, afirmou em depoimento prestado nesta quarta-feira (10) na Justiça Federal, no Centro do Rio, que nunca recebeu "nenhum centavo" oriundo de esquema de corrupção.  Adriana disse ainda que os registros de compras de joias em seu nome "não estão corretos". "Eu jamais comprei joias de R$ 1 milhão".  Ela admitiu, porém, que ganhou um anel de US$ 800 mil do dono da Delta, Fernando Cavendish. 

A ex-primeira-dama afirmou que nunca soube de irregularidades no governo de Sérgio Cabral, e que estava decepcionada com a ex-secretária Michelle Pinto. Em seu depoimento, Michelle disse que propina era entregue no escritório de Adriana Ancelmo. A ex-primeira-dama afirmou que demitiu Michelle por ela usar seu cartão de crédito.

Adriana também afirmou que resgatou R$ 1 milhão de conta do filho para pagar as contas enquanto estava presa. No fim da audiência, o juiz Marcelo Bretas pediu para o banco ser oficiado para dar mais informações sobre o resgate para a conta de Adriana, que estava bloqueada.

Adriana também negou que Luiz Carlos Bezerra ia com frequência a seu escritório. Segundo a ex-primeira-dama, Bezerra ia a seu escritório apenas para acompanhar uma reforma. "Era um boy", disse. O MPF aponta que a propina para o escritório de Adriana era levada por Bezerra. Adriana Ancelmo disse ainda acreditar que todo ganho de Sergio Cabral era "completamente lícito".

O juiz Marcelo Bretas anunciou que homologou acordo de delação do presidente da Rica Alimentos, Luiz Igayara. Ele foi interrogado antes de Adriana Ancelmo e afirmou que Sergio Cabral pediu inicialmente para ele "legalizar" R$ 50 mil que seriam "sobras de campanha" em 2007. Segundo Igayara, os valores foram aumentando com o tempo, levados pelo operador Carlos Miranda ou em carros-forte. 

Adriana Ancelmo é acusada de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa pela força-tarefa da Lava Jato no Rio. O ex-governador é acusado de liderar um grupo que desviou R$ 224 milhões em obras. A ex-primeira-dama foi presa em dezembro e cumpre prisão domiciliar em seu apartamento no Leblon, na Zona Sul do Rio.