SãoGonçalo registra mais de 2.500 casos de roubo de cargas entre 2011 e2016, diz Firjan

Em seis anos, ocorrências cresceram 86,9% nos 16municípios do Leste Fluminense 

A cidade de São Gonçalo registrou 2.521 casos de roubo de cargas entre 2011 e 2016, isto representa um aumento de 162%, nos últimos seis anos, de acordo com o estudo “O impacto econômico do roubo de cargas no estado do Rio de Janeiro”, divulgado pelo Sistema Firjan nesta quinta-feira, dia 16.

Nos municípios de Araruama, Armação de Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Iguaba Grande, Itaboraí, Maricá, Niterói, Rio Bonito, Rio das Ostras, São Gonçalo, São Pedro da Aldeia, Saquarema, Silva Jardim e Tanguá, atendidos pela Representação Regional FIRJAN/CIRJ Leste Fluminense, de 2011 a 2016, foram registrados 3.696 casos de roubo de cargas, que reflete um crescimento de 86,9%.

O documento revela também que, em todo o estado do Rio, foram apontados 9.862 casos de roubo de cargas somente ano passado, o terceiro recorde consecutivo em 25 anos, com um prejuízo de R$ 619 milhões.

Das 139 delegacias da Polícia Civil no estado, 12 concentram mais da metade das ocorrências. O Sistema Firjan ressalta que estes locais ficam no entorno das principais rodovias (Avenida Brasil, BR-040, BR-101-Norte e BR-116) e possuem trechos dominados pelo crime organizado, notadamente o tráfico de drogas.

De 2011 a 2016, foram mais de 33,2 mil ocorrências - uma a cada 1h35. De acordo com a análise da Federação das Indústrias, elaborada com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), o aumento foi de 220,9% no período, com prejuízo de R$ 2,1 bilhões. A Região Metropolitana concentrou 94,8% do total estadual (31,5 mil).

Para a Federação, o roubo de cargas afeta negativamente o setor produtivo, elevando os custos relativos ao frete e gerando perda de competitividade, e também para a sociedade, por conta do aumento do preço final das mercadorias. A Federação destaca ainda que regiões com grande incidência passam a ser evitadas e a população local enfrenta o risco de desabastecimento ou de se tornar refém do crime organizado, que controla o comércio local.

No Mapa do Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro 2016-2025, lançado pelo Sistema Firjan no ano passado, o combate ao roubo de cargas é apontado como uma das prioridades. Por isso, a Federação sugere uma série de ações que precisam ser implementadas simultaneamente.

Entre elas estão o aumento do efetivo policial nas áreas de maior incidência e a adoção de modelo de “Dação em Pagamento”, que pode permitir que empresas inscritas na dívida ativa do estado realizem pagamentos através da dação de equipamentos e da realização de serviços destinados a garantir o bom funcionamento das forças policiais.

O aumento da punição aos crimes de receptação, armazenamento e venda de produtos roubados através da cassação da inscrição no CNPJ e no cadastro de contribuintes do ICMS também está entre as sugestões apontadas pelo Sistema Firjan.