Eike Batista presta depoimento nesta tarde, na Polícia Federal

O empresário Eike Batista, que está preso desde segunda-feira (30) no Rio de Janeiro, deverá depor na tarde desta terça-feira (31) na sede da Superintendência da Polícia Federal (PF), no centro da cidade. Ele deverá deixar o Complexo Penitenciário de Gericinó (Bangu) no início da tarde e iniciar seu depoimento por volta das 15h.

O empresário, que está preso preventivamente acusado de pagar propina ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral para se beneficiar com contratos públicos, será ouvido pela Delegacia de Combate a Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor).

Eike Batista foi transferido, no início da tarde de segunda-feira (30), do presídio Ary Franco para Bangu 9. Já com a cabeça raspada, o empresário foi colocado na viatura da Polícia Federal, rumo ao Complexo Penitenciário de Gericinó. A unidade de Bangu 9 é destinada aos presos sem curso superior.

Eike Batista havia sido levado ao presídio Ary Franco (onde se faz a triagem), em Água Santa, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na manhã desta segunda-feira. Ele desembarcou no Aeroporto Internacional Tom Jobim às 9h45, e foi recebido pela Polícia Federal, que o levou para exames no Instituto Médico Legal (IML). Em seguida, foi encaminhado ao presídio. Ele cumprirá prisão preventiva decretada pela Justiça. O empresário estava em Nova York e era considerado foragido pela Interpol.

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Eike Batista viajou para os Estados Unidos dias antes de ser deflagrada a Operação Eficiência (desdobramento da Calicute), que tinha ele como principal alvo. A Justiça decretou sua prisão preventiva, sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitações de obras públicas no Rio de Janeiro. De acordo com a investigação, o empresário teria pagado propinas ao ex-governador Sérgio Cabral.  

Panamá

Um objeto das investigações é o pagamento de uma propina de US$ 16,5 milhões ao ex-governador por Eike Batista e do advogado Flávio Godinho, do grupo EBX, usando a conta Golden Rock no TAG Bank, no Panamá. Esse valor foi solicitado por Sérgio Cabral a Eike Batista no ano de 2010, e para dar aparência de legalidade à operação foi realizado em 2011 um contrato de fachada entre a empresa Centennial Asset Mining Fuind Llc, holding de Batista, e a empresa Arcadia Associados, por uma falsa intermediação na compra e venda de uma mina de ouro. A Arcadia recebeu os valores ilícitos numa conta no Uruguai, em nome de terceiros mas à disposição de Sérgio Cabral.

Eike Batista, Godinho e Cabral também são suspeitos de terem cometido atos de obstrução da investigação, porque numa busca e apreensão em endereço vinculado a Batista em 2015 foram apreendidos extratos que comprovavam a transferência dos valores ilícitos da conta Golden Rock para a empresa Arcádia. Na oportunidade os três investigados orientaram os donos da Arcadia a manterem perante as autoridades a versão de que o contrato de intermediação seria verdadeiro.

“De maneira sofisticada e reiterada, Eike Batista utiliza a simulação de negócios jurídicos para o pagamento e posterior ocultação de valores ilícitos, o que comprova a necessidade da sua prisão para a garantia da ordem pública”, frisam os nove procuradores corresponsáveis por esta Operação.

Com Agência Brasil