Ameaça de terrorismo muda rotina de cariocas na Cidade Olímpica

Já estrangeiros visitando o Rio acreditam que perigo não é tão grande

A prisão de dez pessoas suspeitas de planejar um ataque terrorista durante a Olimpíada do Rio, na última quinta-feira (21), repercutiu entre cariocas e turistas que estão na cidade para os Jogos. Muitos se mostram apreensivos e até admitem que vão mudar sua programação para o período da competição. Outros criticaram a segurança e até constatam que, na cidade, o clima é de constante "terrorismo".

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Vanessa Rosa, de 34 anos, assistente social e moradora de Nilópolis, na Baixada Fluminense, é uma das que vão mudar seus planos. "Vou evitar sair, vou fazer só trajetos rotineiros, da casa pro trabalho e coisas por perto. Passar longe de multidão.”

Contudo, para ela, o terrorismo já está presente no Rio há muito tempo: “Temos corrupção, poder paralelo, insegurança. Tenho muito medo mesmo. De ir até para o trabalho. Não me sinto segura nem no Rio, nem na Baixada. Venho para rua sem nenhum pertence.”

O estudante de História Lucas Codá, de 21 anos, pensa da mesma forma: “Nunca me aconteceu nada, pessoalmente. Mas a maioria das pessoas não se sente segura, porque temos um governo que não consegue nem defender a população dos problemas internos. Como ele vai defender dos problemas externos?”

Lucas ainda acha que se houver o ataque, de fato, o governo não vai saber lidar com o fato e a população vai contar com improvisação e sorte para se defender. “As pessoas têm consciência desse despreparo e vejo muitas mudando de planos: não vão sair nos Jogos, não vou usar metrô, não vão vir para o Centro. Minha mãe é uma dessas”

Com 50 anos, Maria Alves, que está desempregada, se diz muito preocupada: “Não ando tranquila em momento algum e agora, com essas ameaças, está pior na Olimpíada. A preferência é não sair de casa, não andar de metrô, nem VLT, nem vir ao Centro.”

Por outro lado, o estudante carioca Yan da Mota, de 21 anos, afirma que não vai mudar sua rotina, nem seus planos por conta da ameaça de terrorismo na agenda carioca. Até porque, para ele, a insegurança é uma conhecida de longa data da cidade. “Fico preocupado, mas ao mesmo tempo acho que isso não é o principal. O Rio sempre foi perigoso. O ataque terrorista é “privilégio” para quem vem só para a Olimpíada. Quando a gente foca só nisso, fechamos os olhos para o terrorismo diário que a cidade sofre”, afirmou.

Ele ainda acredita que, no caso de um possível ataque, haverá ajuda internacional: “Acho que o Brasil, sozinho, não consegue lidar. Mas o terrorismo é uma questão internacional e acho que os organismos do mundo todo vão ajudar, o que facilita.”

Uma turista alemã, que se identificou apenas como Sike, de 49 anos, conta que mora na Bruxelas - um dos centros preferenciais do terrorismo - e admitiu que se sente mais segura aqui. Sike tem um filho brasileiro e está no Rio a passeio: “Vi muito mais segurança e presença de militares aqui do que na Bélgica.” 

Frequentadora assídua e vizinha do metrô que sofreu um atentado no final de março desse ano, Sike explicou também que o terrorismo não é daqui, mas sim “importado”: “O terrorismo não e um problema daqui, ele ainda não é real, é uma especulação. Porque o grupo do terrorismo não está aqui, a comunidade brasileira não é receptiva para os ideais do Isis, não tem a ver com o brasileiro. Na Europa, há jovens perdidos que querem fazer algo com qualquer significado que seja. Por isso, acho que há risco de terrorismo importado, isso sim.”

Ela acredita que não há com o que os cariocas se preocupar. “Esse grupo preso não parecia muito preparado. Eu não mudaria minha rotina.”

Com a mesma positividade, a dinamarquesa Emma Niilsen, de 21 anos, afirmou que se sente mais segura aqui do que na Europa, e acrescentou “Só preciso cuidar da minha bolsa, não chego a me sentir em perigo. Não parece um país do terceiro mundo, como falam. Tem tanta polícia atualmente que se tivesse ataque, conseguiriam lidar com isso.”

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* do projeto de estágio do JB

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