Justiça pode anular prisão domiciliar de Cavendish e Cachoeira nesta quarta

Novo desembargador assumiu caso depois de impedimento de Ivan Athié

Detidos há cerca de uma semana no Complexo Penitenciário de Bangu 8, enquanto aguardam a chegada de tornozeleiras eletrônicas para o cumprimento de prisão domiciliar, os empresários Fernando Cavendish e Carlinhos Cachoeira podem ter anulada, ainda nesta quarta-feira (6), a decisão que reverteu a prisão coletiva em domiciliar.

De acordo com a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, o desembargador Paulo Espírito Santo, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, pode anular a decisão de Antonio Ivan Athié, que se declarou impedido e deixou o caso nesta terça-feira (5), e invalidar até mesmo a reclamação das defesas feita ao Supremo Tribunal Federal para que Cavendish e Cachoeira deixassem a penitenciária sem tornozeleira eletrônica.

Nesta terça-feira (5), o Ministério Público Federal questionou a decisão de Athié e disse que recorreria da decisão do desembargador. De acordo com o MPF, havia conflitos de interesses na decisão, já que o escritório de Técio Lins e Silva, que advoga para Cavendish, defendeu Athié em 2004, quando o desembargador foi acusado de falsidade ideológica no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A acusação foi arquivada em 2008 pelo ministro Felix Fischer, que alegou que o desembargador teve os sigilos fiscal, bancário e telefônico quebrados e nada de irregular foi encontrado.

A procuradora regional da República Mônica de Ré, representante do MPF nos autos, disse que há inclusive demonstração de laços de amizade entre o desembargador e o advogado que representa Cavendish.

“Sem pretender fazer juízo de mérito sobre o julgamento realizado, não há como se recusar a constatação de que as circunstâncias descritas retiram do magistrado o distanciamento e a imparcialidade necessários à apreciação desse processo, sobretudo pelo fato de Fernando Antônio Cavendish Soares constar como parte”, disse a procuradora.