Polícia Civil do Rio precisa de 8 milhões para quitar dívidas e comprar materais

O secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, vai pedir autorização à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para que R$ 8 milhões dos recursos doados pela Alerj em 2014 sejam destinados ao pagamento de dívidas e melhoria de infraestrutura da Polícia Civil (PC).

O dinheiro é resultado das aplicações financeiras que a pasta realizou com parte dos R$ 41,5 milhões doados pela Legislativo Fluminense, verba destinada inicialmente à Polícia Militar. O secretário se reunirá na semana que vem com os deputados da Casa para discutir a questão. As informações foram repassadas pelo subsecretário de Gestão Estratégica da Seseg, Hélio Pacheco Leão, durante audiência pública da Comissão de Segurança Pública da Alerj nesta sexta-feira (06/05).

"As dívidas da Polícia Civil estão dificultando muito o trabalho dos agentes. Já foram realizados cortes de gastos na instituição. Também é necessária a compra de materiais e melhoria na infraestrutura das delegacias. O dinheiro que estamos pedindo não estava destinado a nenhum fim específico, já que é resultado das nossas aplicações financeiras", explicou o subsecretário.

A presidente da Comissão, deputada Martha Rocha (PDT), ressaltou que o Hospital da Polícia Civil também precisa ser devidamente equipado: "Atualmente, a unidade hospitalar, que se encontra dentro da Cidade da Polícia, não está em condições de atender os policiais por falta de equipamento. Como pediu o presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), eu vou me reunir com o secretário Beltrame e o deputado Edson Albertassi (PMDB) na semana que vem para saber todas as reivindicações e necessidades da segurança pública do Rio", afirmou a parlamentar.

Em maio de 2014, a Alerj doou R$ 70 milhões para a segurança pública do Rio. O recurso foi destinado principalmente às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Além dos R$ 41,5 milhões que foram diretamente para a Seseg, aproximadamente R$ 12,5 milhões foram repassados para outras secretarias do governo com o objetivo de realizar projetos que acompanhariam a instalação da UPP da Maré.

Segundo Hélio Leão, como a UPP da Maré não será construída em 2016, esses recursos poderiam ser utilizados para atividades mais emergenciais. "Desse dinheiro, R$ 10 milhões estão com a Secretaria de Educação, que construiria a Escola Técnica da Maré, e outros R$ 2,5 milhões com a Secretaria de Obras, inicialmente repassado para a instalação de uma Delegacia Legal no conjunto de favelas. Temos que saber se as pastas utilizaram esse dinheiro para algum outro projeto. Se o recurso ainda tiver disponível, queremos que a Alerj autorize a utilização para outros fins", declarou Leão.

A Seseg ainda tem um saldo de R$ 25,5 milhões da doação realizada pela Alerj. Desse recurso, R$ 8 milhões são provenientes das aplicações financeiras e R$ 17,5 milhões ainda não foram utilizados em licitações. A pasta gastou 13,5 milhões para a manutenção e construção de novas sedes de UPPs. "Já estamos com processos abertos para a compra de computadores e novos mobiliários para as UPPs. Sem o recurso da Alerj, as UPPs não estariam funcionando. Mesmo com esse dinheiro, estamos há sete meses sem conseguir pagar a empresa responsável pela manutenção dos nossos contêineres", ressaltou o subsecretário.

Durante a audiência, Hélio Leão também afirmou que seriam necessários mais R$ 40 milhões para a Seseg realizar projetos futuros, dentre eles a construção da UPP da Maré. Em entrevista à edição desta sexta-feira do jornal RJTV da Rede Globo, o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), afirmou que a Casa pode disponibilizar mais recursos à segurança pública do Rio: "A ideia é levar uma proposta à Mesa Diretora para doar esses recursos do nosso fundo. A Alerj não medirá esforços em apoiar ações na segurança, até porque o Brasil vai retomar o crescimento, e é preciso que se tenha paz para que o Rio de Janeiro aproveite esse bom momento, aumente o número de turistas. Tudo passa pela segurança ", declarou Picciani.O deputado Zaqueu Teixeira (PDT) também participou da reunião.

*Com informações da Agência Rio