Roubo de cargas no Estado do Rio teve aumento de quase 100%

A prática do roubo de cargas em todo o estado do Rio de Janeiro sofreu um considerável aumento de 97%, considerando o ano de 2014 (67%) e de 2015 (30%), sem incluir o último mês de dezembro, em relação a 2013. Os motoristas, que vêm trabalhando com muita apreensão, foram vítimas de 3.114 roubos em 2013; 5.103 roubos em 2014; e 6.302 casos em 2015.

Se comparado aos roubos de carga no estado de São Paulo, os números são ainda mais alarmantes para o Rio de Janeiro. Enquanto o Rio registrou mais de 5 mil casos, o estado paulista registrou, até novembro, 8 mil roubos em 2015. São Paulo, no entanto, tem circulação de carga quatro vezes maior que o Rio de Janeiro, o que coloca o estado fluminense na dianteira do ranking de roubos.

Diretor de Segurança do Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Rio de Janeiro (Sindicarga), o Coronel Venâncio Moura aponta algumas causas para o cenário atual. Dentre elas, estão a redução de mais de dois terços do efetivo de agentes com dedicação exclusiva ao tratamento desse tipo de crime e a ausência de estratégia em locais críticos.

“Uma das causas é que a delegacia de cargas contava com policiais militares agregados, com um efetivo de 150 homens. Mas a Polícia Civil ‘devolveu’ esses militares e hoje o efetivo é de 45 agentes, o que é muito pouco para o estado. Tínhamos também a delegacia de cargas na Pavuna, bairro mais crítico para esse tipo de roubo. Ela inibia o roubo naquela região, mas deixou o local”, enumera Venâncio.

Para o diretor do Sindicarga, a ousadia dos criminosos é um efeito colateral do advento das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas favelas, que reprime a ação local de traficantes de drogas. Mas ele reclama que o estado não apresentou uma estratégia de segurança para reverter as estatísticas.

“Com a chegada das UPPs, o tráfico de drogas passou a roubar cargas para compensar as perdas, o que fez aumentar o número absoluto de roubos. O que nos preocupa é que nada está sendo feito e essa prática de roubo de cargas está se disseminando em outras favelas, como um braço financeiro do tráfico e com resultado mais fácil que o roubo de um banco, por exemplo, já que os motoristas não oferecem resistência”, explica Venâncio.

O problema vem atingindo de maneira drástica as transportadoras e os profissionais do ramo. Dependendo da situação, o aumento dos seguros pode ser de 10% a 15%, ou mais que isso. Há, ainda, seguradoras que vêm se recusando a prestar serviço de forma integral, limitando o segurando a apenas parte da carga. Os produtos mais atingidos são eletrodomésticos, componentes eletrônicos e telefones celulares.

A reação em cadeia já atinge a economia fluminense. Segundo o representante do Sindicarga, já há transportadoras deixando de atuar no Rio de Janeiro, bem como motoristas que estão abandonando a profissão por medo da violência, que inclui cárcere privado em favelas. “O transportador não deixa de pagar impostos pelo fato de a carga ter sido roubada. Várias empresas estão saindo do estado por conta do prejuízo advindo dos roubos”, afirma Venâncio.

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais