Padre Jorge: o padre do coração

Hoje (28 de julho) é aniversário do padre Jorge Luiz Neves Pereira da Silva, o padre Jorjão. Nesta data tão especial, o Jornal do Brasil, com suas tradições católicas centenárias, homenageia este evangelizador com um texto também de um jovem evangelizador do mundo.

Padre Jorjão: 55 anos

Um coração franciscano. Quando deixou a casa de seus pais na Tijuca, aos dezesseis anos, o jovem Jorge Luiz Neves Pereira da Silva certamente não tinha outra pretensão senão a de seguir Jesus Cristo imitando o exemplo do grande São Francisco de Assis. Queria ser frei capuchinho. Sentia-se inspirado pelos testemunhos daqueles frades alegres que, na simplicidade de uma vida pobre, cuidavam da igreja dedicada ao Padroeiro de nossa cidade, São Sebastião. Sentia-se também inspirado pelo famoso santo de San Giovanni diRotondo, na Itália, Padre Pio de Pietraltina.

Mal podia imaginar que, 39 anos depois, seria um dos rostos mais conhecidos do Rio de Janeiro e um dos sacerdotes mais amados pela população carioca, que carinhosamente o chama de Padre Jorjão.

Um coração sedento por servir. Os anos junto dos capuchinhos o marcaram. Sempre fala com carinho do seu tempo de convento, dos ensinamento que recebeu, sobretudo de seu mestre de noviços, Frei Gatângelo. Mas, movido pela admiração que cultivava pelo então Cardeal do Rio de Janeiro, Dom Eugênio de Araújo Sales, quando estava para ser ordenado diácono, pediu para passar ao clero da Arquidiocese carioca. Deixou de vestir o habito marrom capuchinho, mas o “poverello” de Assis nunca saiu do seu coração.

Um coração de Bom Pastor. Como na parábola da ovelha perdida, o jovem padre Jorjão - assim chamado tanto pelo seu tamanho como pelo seu coração imenso - dedicou-se a buscar aqueles que estavam longe de Jesus. Tomando ao pé da letra as palavras de São Paulo “Ai de mim se não evangelizar” (1Co 9,16), foi atrás especialmente dos jovens. Poucos fizeram tanto pelos jovens  católicos no Rio como ele.

Um coração jovem. Quando São João Paulo II, em 1983, instituiu as Jornadas Mundiais da Juventude, não houve maior apóstolo do que ele: organizou grupos, fez com que a JMJ fosse conhecida pelos jovens brasileiros. Participou de todas. Em 2013 viu um sonho realizado: a JMJ no Rio de Janeiro. Em certo sentido, quando reunia milhares de pessoas na praia de Ipanema para participar do evento “Deus é Dez”, fazia-se precursor daquela multidão que se reuniu em Copacabana junto com o Papa Francisco, há exatos dois anos, no dia 28 de julho de 2013. Foi o maior presente de aniversário de sua vida.

Um coração moderno. Padre Jorjão é uma pessoa simples. Continua levando uma vida franciscana. Mas isso não significa que não esteja antenado com a modernidade. Gosta de fazer selfie com os jovens que lotam a cada domingo a missa que ele celebra, às 19h30, na Paróquia Nossa Senhora da Paz em Ipanema. Seus famosos sermões, tão cheios de emoção como de sabedoria, são  preparados no seu Ipad. Conhece a linguagem dos jovens. Sabe atraí-los. Levou vários para o seminário; um desses, o Servo de Deus Guido Schaffer, pode ser declarado o primeiro santo carioca.

Um coração agradecido. Hoje, o Padre Jorjão comemora 55 anos de vida. Contudo, se alguém o for parabenizar pela data, perceberá que ele fica um pouco sem jeito. Não gosta de comemorar aniversários. Prefere outra data: 8 de agosto de 1992. É a data da sua ordenação sacerdotal. Naquele dia, o jovem que deixara a sua casa para seguir Jesus deixou de existir; naquele dia, nascia o Padre Jorjão. Mesmo assim, hoje é dia de festa. De agradecimento pela vida deste querido sacerdote. Por isso, mesmo que fique um pouco sem jeito, queremos dizer: Feliz aniversário!