Polícia Militar aumenta carga horária na formação de soldados

Diferencial do treinamento é estudo de casos reais, que serão avaliados e discutidos nas aulas

A partir de setembro, alunos do curso de formação da Polícia Militar (PM) terão a carga horária do curso de soldados ampliada de sete para 10 meses de formação teórica, além de dois meses de estágio supervisionado, num total de 12 meses de aulas. O objetivo, segundo a Secretaria de Segurança, é fazer que os novos policiais administrem possíveis controvérsias e minimizem as chances de conflito, o chamado policiamento de proximidade.

A grade curricular anterior consistia em 27 disciplinas, com 1.084 horas de estudos. O novo currículo terá 32 disciplinas, totalizando 1.437 horas/aula. A formação incluirá novos módulos de policiamento de proximidade, administração de conflitos, treinamento de tiro para defesa pessoal e uso comedido da força, com armas de tecnologia não letal.

Um diferencial do novo treinamento é o estudo de casos reais, que serão avaliados e discutidos em sala de aula. Segundo o subsecretário de Educação, Valorização e Prevenção da Secretaria Estadual de Segurança, Pehkx Jones Gomes da Silveira, a atualização é necessária para o aperfeiçoamento do papel dos policiais. "Ser policial", diz ele, "é um processo permanente de atualização. Trata-se de uma função que exige consciência de que é um indutor do processo de formação para o exercício da cidadania. Por isso, a revisão curricular, num lapso de dois anos, visa aprimorar o foco na administração de conflitos, bem como reforço nos procedimentos para uso da força na atuação policial, cujo foco é a preservação da vida".

Participarão do curso 500 alunos que passaram no concurso de 2014, mas também será estendido para policiais antigos da corporação. Eles passarão por treinamentos na Sala Virtual de Tomada de Decisões do Centro de Instrução Especializada em Armamento e Tiro, equipada com três telões de 180 graus e material com cerca de 50 situações reais. Durante as simulações, o foco será a utilização de equipamentos não letais, como cassetes, tasers (armas de choque) e algemas.

A revisão curricular na formação dos soldados da PM do Rio é um processo permanente, fortemente vinculado ao controle e à avaliação, com base em pesquisas acadêmicas que buscam identificar fragilidades no processo de formação do policial, avaliou Silveira. Ele adiantou que serão criados oito núcleos no estado para capacitação do uso progressivo da força, e os cursos devem ocorrer pelo menos uma vez por ano.