Caso Amarildo: PM afasta das ruas policiais do Bope

O comando da Polícia Militar afastou das ruas os agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) supostamente envolvidos na ocultação do corpo do pedreiro Amarildo, que desapareceu na Rocinha em julho de 2013. O afastamento foi determinado até a conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM) que apura o caso.

O Ministério Público (MP) já tinha anunciado a abertura de um novo inquérito sobre o caso, para identificar a altura exata da vítima, como objetivo de saber se o tamanho corresponde ao do volume que aparece em uma das caminhonetes do Bope, de acordo com imagens reveladas pelo Jornal Nacional na segunda-feira.

Imagens reveladas na segunda-feira pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostram que quatro caminhonetes do Bope chegaram à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha pouco antes da meia-noite do dia 14 de julho. Trinta e seis minutos depois, dois veículos deixaram o local. Um deles, que carregava um volume suspeito, semelhante a de um corpo humano, teve o GPS desligado no período em que ficou estacionado na UPP.

Viúva de Amarildo teme represálias de policiais

A viúva do pedreiro Amarildo de Souza, Elizabeth Gomes da Silva disse nesta terça-feira (23/6) que está com medo de represálias de policias por causa da reabertura do inquérito que investiga a morte de seu marido. “Espero que a Justiça faça eles ‘falar’ cadê os restos mortais de Amarildo para a família poder enterrar como digno. Só que a gente, eu e minha família, ‘tem’ medo de sofrer represália deles. Como eles entraram dentro da Rocinha, fizeram uma operação mentirosa, negativa e não era operação nenhuma. Era para poder entrar dentro da Rocinha e pegar o corpo do meu marido, tanto que o carro estava desligado, fizeram num lugar que não tinha câmera para filmar”, disse Elizabeth

Nesta segunda-feira, o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (MPE) anunciou que vai reabrir as investigações do Caso Amarildo, ajudante de pedreiro desaparecido e dado como morto pela Justiça. Os policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, acusado pelo crime ocorrido no dia 14 de julho de 2013 forma condenados pela Justiça. Agora, o MPE quer apurar a entrada de quatro caminhonetes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na comunidade na noite do crime. 

De acordo com a reportagem do Jornal Nacional exibida nesta segunda-feira (22/6), serão avaliadas novas imagens de uma câmera de segurança instalada nas proximidades da UPP da Rocinha, que mostra 10 homens do Bope em ações suspeitas. Os peritos vão analisar ainda um suposto volume em uma das caminhonetes quando o veículo deixa a comunidade com quatro agentes na parte traseira. A câmera fica localizada em ponto estratégico, na única via do lugar que leva até a sede da UPP.

As cenas gravadas aconteceram cerca de cinco horas após Amarildo ser encaminhado por PMs até a sede da UPP na Rocinha para prestar depoimento. Na época, o então comandante da UPP, major Edson Santos, afirmou que havia pedido reforço do Bope, em função de um possível ataque à base da PM. No entanto, o MPE investigou que este ataque não é citado em nenhuma escuta analisada.