'Ajuste fiscal é extremamente necessário', diz Lagarde em visita ao Complexo do Alemão

Diretora do FMI conheceu as políticas sociais e de desenvolvimento que deram bons resultados

A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, visitou na manhã desta quinta-feira (21/5) o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ela chegou ao local escoltada por uma comitiva formada por cerca de 70 pessoas e ao lado da Ministra Tereza Campello, da pasta de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Lagarde chegou ao Rio com a intenção de conhecer de perto as políticas sociais dirigidas pelo governo brasileiro às comunidades. 

Lagarde defende que o ajuste fiscal é a "base necessária" que sustenta os programas sociais nas comunidades carentes. Durante uma visita de, aproximadamente, 30 minutos, Lagarde conheceu moradoras beneficiárias do Bolsa Família e atendidas por programas de empreendedorismo do Sebrae. "Elas se tornaram mais fortes. Estou impressionada", comentou a diretora do FMI. A visita foi animada por uma apresentação de capoeirista do Alemão. 

Mais cedo, Christine Lagarde participou de uma reunião técnica com autoridades dos governos municipal, estadual e federal, para conhecer detalhes dos programas sociais e econômicos desenvolvidos por estas esferas governamentais e voltados para a população de baixa renda em comunidades. Na visita ao Alemão, Lagarde comentou que o ajuste fiscal é "extremamente" necessário e beneficia diretamente a população de baixa renda. Ainda nesta quinta (21), a diretora do FMI vai se reunir com o ministro Joaquim Levy, da Economia, e com a presidenta Dilma Rousseff, em Brasília.

A ministra Tereza Campello contou o que mais chamou a atenção de Lagarde sobre o retrato da pobreza no país. "Ela [Christine Lagarde] ficou impressionada com o desenvolvimento nas comunidades. Pode ver que a população de baixa renda não é pobre, não é miserável. A população está mudando de vida, tem acesso a bens, tem casa. As famílias, por exemplo, moram em casa de material, de cimento, não são mais casas de pau a pique. As pessoas tem geladeira, tem telefone, estão na escola. Isso chamou a atenção dela", afirmou Campello.

Da conversa que teve com Lagarde, a ministra contou ainda que a diretora do FMI ressaltou que o Bolsa Família representa 0,6% do PIB, um percentual que consegue alcançar 50 milhões de brasileiros. "E não é apenas este programa, falamos de outros temas. O Cadastro Único, que é um sistema de banco de dados super sofisticado para chegar na população pobre. Como o Brasil desenvolveu alta tecnologia para oferecer o melhor para a população carente. Custa pouco, chega a quem precisa chegar, por isso é compatível com o esforço do país em reduzir despesas e tá levando para a população não só renda, está levando as crianças para a escola, as crianças para a saúde, garantindo empreendedorismo, garantindo assistência técnica, um milhão de cisterna para o Nordeste, quer dizer, é o que ela [Lagarde] chama de esforço multidimencional, é muito mais que renda", disse a ministra. 

Mulheres empreendedoras são exemplo para FMI

A empreendedora Solange Pastoril Monteiro foi uma das mulheres da comunidade escolhida para conversar com Lagarde e contar a sua trajetõria profissional. A moradora revelou que, há dois anos, se associou ao projeto do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e com os cursos específicos para a sua área comercial e aprimoramento, conseguiu mudar o seu fluxo de caixa de forma extraordinária, o que beneficiou toda a sua família. "Eu dobrei as vendas, tanto que depois eu comprei uma moto, um carro, com este dinheiro do meu trabalho. Com esta renda a mais, eu sempre aplico nos meus produtos e negócios", disse Solange. Quanto a atual conjuntura econômica do país, Solange tem uma opinião otimista e de quem já aprendeu a driblar qualquer crise. "Inflação sempre vai ter, em qualquer tempo, mas ninguém vai deixar de comer por causa disso, deixar de vestir, pode até diminuir. Inflação alta ou baixa, a gente tem que trabalhar".

Enquanto Christine Lagarde comprimentava os moradores, a dona de casa Adriana Monteiro Batista, de 45 anos e residente há 12 na comunidade, observava com uma boa dose de esperança aquela visita excêntrica para sua realizade local. "Eu espero que após esta visita dela, a gente tenha mais projetos para o futuro das nossas crianças. As crianças precisam de mais esporte, cultura, cursos", disse ela. Adriana não sabe bem o que significa FMI e nem qual a função do órgão no cenário  mundial, mas tem duas certezas, de que é "algo" importante e que ela [Christine Lagarde] saiu da comunidade com excelentes impressões. "Ela saiu daqui muito feliz, é muito simpática, espero que ela volte com mais projetos para a gente", resumiu.

Lideranças pedem prioridade para a Educação

O representante da associação "Juntos pelo Complexo do Alemão", formada por 21 instituições locais, Alan Brum, que também é coordenador do Instituto Raízes em Movimento do Complexo do Alemão, solicitou à diretora do FMI prioridade para a Educação na comunidade. "Como ela só visitou o nosso complexo no Rio e vai estar agora a tarde com a presidenta Dilma, acredito que possa levar ao governo federal a urgência da nossa questão com a implantação da Universidade Federal, este impasse com a prefeitura", contou.  

Alan se refere ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), que ainda não foi inaugurado no Alemão por questões burocráticas com a prefeitura. Apesar da implantação da entidade ter sido autorizada pela esfera federal, ainda falta a prefeitura liberar o terreno na área de construção.  

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