Prefeitura de Itaboraí quer reforço na segurança após demissões em massa no Comperj

Prefeito disse que irá pedir aumento de PMs na cidade, que já sofre com os efeitos do desemprego

A população da pacata cidade de Itaboraí, no Leste Fluminense, chegou a sonhar com o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) em plena atividade e trazendo para a região um desenvolvimento econômico jamais vislumbrado. Mas no decorrer da operação Lava Jato, da Polícia Federal, o projeto se transformou em pesadelo para o governo municipal, que agora lida com uma infraestrutura urbana inchada em função do empreendimento na cidade. Nos próximos dias, a prefeitura local vai solicitar o apoio do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) para reforçar o efetivo de policiais militares na região, visando evitar um possível aumento da violência em decorrência da crise do desemprego no Comperj.

Leia mais sobre o caso

>> Comperj: novas demissões e empreiteira desmarca reunião com trabalhadores

Apesar de a prefeitura não ter dados oficiais em torno do empreendimento, o prefeito Helil Cardoso (PMDB) estima que o número de moradores empregados nas obras é insignificante, No entanto, grande parte do contingente de funcionários demitidos pelas empreiteiras que compõem os consórcios do Comperj não retorna às suas cidades de origem, buscando no município alternativas de emprego. "E a cidade não tem demanda para absorver estes operários, tampouco profissionais da construção industrial", ressalta. O cenário no Comperj compromete, na avaliação de Cardoso, o desenvolvimento urbano e econômico de Itaboraí. "A demora na conclusão da obra traz grandes impactos à cidade, como o aumento na demanda por serviços essenciais de saúde, educação e transporte, além de danos à infraestrutura viária, entre outros", comenta o prefeito. 

A receita fiscal de Itaboraí também deve sentir os efeitos drásticos das demissões no Comperj. Pelas previsões de Cardoso, a "crise das empreiteiras" deve refletir na arrecadação do ISS (Imposto Sobre Serviço) proveniente do empreendimento a partir de março. Dos R$ 20,9 milhões arrecadados atualmente pela prefeitura, R$ 18 milhões vêm do Comperj. As estimativas do prefeito são pessimistas e aponta para uma queda de 50% na receita. "Por conta disso, houve um contingenciamento de 20%, mantendo na íntegra os investimentos em saúde e educação, e cortando gastos com outros serviços como telefonia móvel e fixa, serviços de postagem, viagens, gastos de combustível e locação de bens e imóveis", disse ele.

Outra medida prevista para os próximos dias diz respeito à segurança. Cardozo vai solicitar ao governador Luiz Fernando Pezão o aumento do efetivo de policiais militares na cidade, visando evitar que a atual crise de desemprego no Comperj resulte no aumento da violência. Segundo ele, a prefeitura também está atenta ao aumento da economia informal. 

Para tentar amenizar os efeitos das demissões na cidade, a prefeitura de Itaboraí tem tomado medidas visando o aumento da arrecadação municipal, por meio de ações de incentivo e agilização do processo de abertura de novos empreendimentos na cidade. A políticas de incentivo fiscal que eram praticadas antes do anúncio do Comperj foram revistas, levando em conta a nova realidade de Itaboraí.

Helil Cardoso conta que logo ao assumir o cargo, no ano de 2013, buscou informações sobre os prazos do Comperj e observou que em 2010 houve uma reformulação no projeto, minimizando o complexo na construção de uma refinaria para processar 165.000 barris diários para principalmente produzir derivados do petróleo. Segundo ele, a mudança reduziu as perspectivas de empregos na região. "Entretanto, o fato de termos uma refinaria no município, não tirava a esperança de dias melhores, pois a petroquímica sempre dependerá de uma planta de refino", salientou.

Na época, Itaboraí ocupava a 62a posição em Índice de Desenvolvimento Humano do Estado do Rio na disputa entre os 92 municípios. A população da cidade, de acordo com os dados do Censo de 2010, é de 218 mil habitantes. 

Apelidado por Cardoso de "Trem de Produção de Derivados", o Comperj exigiu de Itaboraí muito além do que a sua estrutura urbana natural oferecia. A grande demanda de técnicos e operários para os canteiros atraiu pessoas de outras cidades e estados. "Não havia [em Itaboraí] mão de obra local, na qual não chamamos de não qualificada, e sim de não adequada para o tipo de obra, chegando ao fim de 2013, com aproximadamente 26 mil empregados contratados direta e indiretamente", explica o prefeito. Cardoso afirma que a prefeitura acompanha, atualmente, com preocupação os últimos acontecimentos em torno do Comperj, além de cobrar das empresas prestadoras de serviços para a Petrobras o cumprimento das obrigações trabalhistas.