Beltrame sobre casos de balas perdidas: 'vamos agir com inteligência policial'

Mais duas pessoas, entre elas uma criança, foram vítimas de balas perdidas nesta segunda

O Secretário de Estado de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse nesta segunda-feira (26/1) que vai usar de uma "inteligência Policial" para lidar com os casos de balas perdidas nas comunidades cariocas. Beltrame afirmou que, apesar da grande incidência dos confrontos entre grupos criminosos rivais nos morros, nas duas últimas semanas, a polícia vai agir de forma "responsável" e não aleatória. Nos últimos nove dias, 12 casos de balas perdidas foram registrados na cidade, durante troca de tiros entre quadrilhas e suspeitos com a PM.

Nesta segunda-feira (26/1), mais uma criança foi atingida por bala perdida, desta vez no morro do Chapadão, em Costa Barros, no Subúrbio. A Lilian Leal de Moraes, de 12 anos, foi atingida por um um tiro durante um confronto entre quadrilhas rivais na região. Ainda na madrugada desta segunda (26), Adriene Solan do Nascimento, de 21 anos, moradora da Rocinha, comunidade da Zona Sul da cidade, foi baleada durante troca de tiros entre suspeitos e policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da região. No sábado, o adolescente Caio Robert Carvalho Rodrigues, de 15 anos, foi atingido no braço direito por um tiro, quando brincava no playground de um prédio localizado em Icaraí, Niterói. No Juramento, em Vicente de Carvalho, Zona Norte da cidade, uma mulher foi vítima de bala perdida, também no sábado (24). Segundo a PM, a troca de tiros foi entre traficantes de facções rivais.

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Em entrevista nesta segunda (26), Beltrame disse que os casos de balas perdidas são consequências das ações de facções criminosas, sem qualquer participação da polícia, com exceção da troca de tiros na Rocinha, que envolveu suspeitos e PMs da UPP. "Mortes em confronto policial é bem diferente destes casos de balas perdidas", salientou. O secretário atribuiu os episódios de violência nas comunidades a criminosos que têm "idolatria por armas", que fazem uso dos armamentos como se fosse qualquer objeto, provocando vítimas. 

Beltrame disse que o Estado está tentando desarticular o "império" [do crime], já consciente da situação nas comunidade como Chapadão, Juramento, Rocinha e outras. A operação realizada na última sexta-feira (23) por agentes do Comando de Operações Especiais, que teve como resultado a apreensão de farto armamento pesado e munições que estavam na posse de marginais, foi citado por Beltrame como modelo estratégico para as próximas ações organizadas pela sua secretaria. Na operação foram apreendidos cinco fuzis AK, um fuzil AR, 01 fuzil Panther IR308, dois fuzil Para-FAL, um fuzil FAL, um fuzil North Eastern 223, 150 munições 7,62, 55 munições de AK, 115 munições de 5,56, 14 carregadores de FAL, quatro carregadores de AK e três carregadores de 5,56.

O secretário afirmou que desde o ano passado a sua pasta tem se empenhado no controle das fronteiras, para inibir a entrada de armamento que abastece os traficantes nas comunidades. No momento, ele garantiu que há um mapeamento que deve orientar as "intervenções temporais" nestas regiões mais afetadas pela "guerra do tráfico".  "Nós, como estado, não queremos produzir bala perdida e vamos agir com responsabilidade", destacou.

Beltrame disse ainda que a sua secretaria investiga ações de policias suspeito de terem cometido erros que resultaram em feridos ou mortos durante as suas atividades. Ele disse que existe um protocolo que facilita a observação da prática policial e que o governo está "atento" às essas questões.