Motorista que atropelou Rafael Mascarenhas vai para presídio em Bangu

Pai do rapaz também foi preso. Ele é acusado de oferecer propina aos policiais na época.

Acusados pela justiça, pelo atropelamento do estudante Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, em 2010, Roberto Martins Bussamra e o filho Rafael de Souza Bussamra foram levados, na tarde deste sábado (24), para um presídio no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Os dois foram presos na sexta-feira, após a decretação da prisão.

A sentença foi emitida nesta sexta-feira (23). Rafael de Souza Bussamra, que dirigia o carro na ocasião, foi condenado a sete anos de reclusão (regime fechado) e mais cinco anos e nove meses de detenção (regime semiaberto). Rafael atropelou e matou o estudante Rafael no dia 20 de julho de 2010, na entrada do Túnel Acústico da Gávea, Zona Sul do Rio.

O pai de Rafael, Roberto Martins Bussamra, foi condenado a oito anos e dois meses de reclusão (regime fechado) e mais nove meses de detenção (regime semiaberto).

Rafael Bussamra foi condenado pelos crimes de corrupção ativa, homicídio culposo, inovação artificiosa em caso de acidente automobilístico, afastamento do local do acidente para fugir à responsabilidade penal e participação em competição automobilística não autorizada. Ele também teve a carteira de habilitação suspensa por quatro anos e meio.

Já Roberto Bussamra foi sentenciado pelos crimes de corrupção ativa e inovação artificiosa em caso de acidente automobilístico.

>> Motorista que atropelou filho da atriz Cissa Guimarães é condenado

Juiz criticou a atitude do pai na sentença

Na sentença, o juiz Guilherme Schilling destacou a atitude do pai em corromper os policiais militares numa tentativa de acobertar o filho.

“O caso vertente retrata não apenas policiais que acobertam e omitem o crime (sendo, por isso, também criminosos), mas também os falsos pais que superprotegem os filhos criando pessoas socialmente desajustadas. Impõe-se uma reflexão sobre o tipo de sociedade que pretendemos para as futuras gerações ou, mais ainda, que tipo de cidadãos somos. Afinal é essa uma das dificuldades atuais da humanidade no plano da ética. De nada vale o Estado reconhecer a dignidade da pessoa se a conduta de cada indivíduo não se pautar por ela”, relata o magistrado.

Outro trecho da sentença destaca o comportamento dos réus.  

“Neste tocante, aliás, o que se observa é um comportamento reprovável e malicioso dos réus, que através de uma enxurrada de inverdades, buscaram não somente eximirem-se da responsabilidade penal, mas na realidade transferi-la com maior peso a outras pessoas. Percebe-se uma verdadeira degradação de valores morais em uma família de classe média, que talvez por mero individualismo, ou abraçando uma cultura brasileira de tolerar exceções, tende a apontar os erros dos outros, e colocando um verdadeiro véu sobre seus erros”, assinala o juiz.