Rio: Procissão de São Sebastião atrai multidão de fiéis 

Caminhada de fé saiu da Igreja dos Capuchinhos rumo à Catedral Metropolitana

As comemorações oficiais do dia de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, começaram cedo nesta terça-feira (20). Às 5h tiveram início as missas para homenagear o santo. Às 10h, o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, celebrou uma missa especial. Às 16h foi a vez da procissão. A caminhada, que saiu da Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca, teve seis paradas. A primeira delas foi na capela Espírito Santo, no Estácio. A parada seguinte aconteceu no Hospital Geral da Polícia Militar, também no Estácio; depois, na Praça da Apoteose; no Inca, na Praça da Cruz Vermelha; na sede da Polícia Civil, no Centro; e, por fim, na Catedral Metropolitana do Rio.

Este ano a procissão teve uma presença mais do que especial: a imagem original do santo. Desde 1958, a imagem só havia saído da Igreja uma vez, no ano de 2000, devido às comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil.

O prefeito Eduardo Paes, participou da caminhada ao lado do cardeal Dom Orani Tempesta, e lembrou que a história do santo padroeiro caminha lado a lado com a história da cidade do Rio de Janeiro.

“São Sebastião tem uma relação praticamente direta com a história dos 450 anos do Rio de Janeiro, a Igreja Católica tem relação com a história da cidade. É uma alegria muito grande estarmos aqui comemorando o dia de São Sebastião nesta data tão importante que são os 450 anos do Rio”, disse o prefeito.

O cardeal arcebispo Dom Orani Tempesta falou sobre a tradição da procissão de São Sebastião, e lembrou que o momento é de fé, e disse que a hora era de pedir bênçãos ao santo para que continue iluminando a cidade do Rio de Janeiro.

“Essa procissão já é tradicional, é antiga na cidade do Rio do Janeiro. Agora é o momento de pedir pela cidade, pelos habitantes e trabalhar para que a fraternidade, a justiça e o amor aconteçam cada vez mais. São Sebastião é exemplo de fidelidade, tenacidade. E influencia todo o carioca com o seu exemplo de caminhar com firmeza, ter sempre coragem, esperança e confiança. Isso é o que desejamos para a cidade no dia de seu padroeiro”, pediu o cardeal arcebispo.

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A devota Pâmela Santiago percorreu todo o percurso abraçada a uma imagem do santo, e disse que o forte sol e a alta temperatura são facilmente superadas pela fé e o amor sentidos por São Sebastião.

“Vou percorrer os quatro quilômetros da procissão carregando a imagem do meu santo. O sol e o calor estão fortes, mas a fé e as bênçãos de São Sebastião fazem qualquer sacrifício ficar pequeno”, disse Pâmela segundos antes de outro devoto se aproximar para beijar a imagem que ela carregava.

Já a também devota Maria Aparecida Santos, disse que está comemorando o dia do santo padroeiro desde o último domingo (18), e agradeceu o dom de sua vida, que segundo ela, só existe graças às bênçãos atribuídas a São Sebastião.

“Estou fazendo novenas desde o último domingo. Eu devo o fato de estar viva a São Sebastião. Minha fé no santo me curou do vício na cocaína e me tirou da prostituição. São Sebastião é o padroeiro da minha nova vida”, agradeceu a devota.

Para encerrar, o cardeal lembrou do fato de essa ser a segunda vez que a imagem original sai da igreja para participar de uma festividade, assim como da última vez o motivo foi o aniversário de 500 anos do descobrimento do Brasil, hoje a procissão fez parte do calendário de comemorações dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro.

“A imagem histórica e original, que segundo a tradição é datada do século XVI, lembra um pouco além da vida de São Sebastião a história da cidade. A fé deve trabalhar da mesma maneira, ajudando a pessoa a caminhar sempre para o bem. Deve tornar-se cultura, da maneira que seja sintonizado nessa procura de trabalharmos juntos, quando a cultura nos leva para o bem, para o belo, a fraternidade ajuda para sermos melhores. Quando a imagem saiu em 2000 foi devido aos 500 anos de descobrimento do nosso Brasil, hoje o motivo é parecido, os 450 anos de nossa cidade”, encerrou Dom Orani.

*Do Programa de Estágio do Jornal do Brasil