Corpo do PM de UPP morto durante folga é enterrado em cemitério no Rio

Soldado da PM Geraldo Luiz da Silva foi atingido em uma comunidade na Zona Oeste da cidade

O corpo do soldado da Polícia Militar Geraldo Luiz da Silva, 27 anos, que era lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi enterrado às 15 horas deste domingo (7/12), no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste. O policial foi morto a tiros na tarde deste sábado (6), quando aproveitava a sua folga para visitar familiares na comunidade do Jardim novo, em Realengo. O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil. 

Cerca de 100 PMs passaram pelo velório do soldado. Geraldo, que fazia parte da corporação desde janeiro de 2013, era recém-separado e deixa dois filhos. Uma irmã do soldado chegou a desmaiar durante o enterro e foi amparada por familiares. 

Segundo testemunhas, Geraldo estava levando o seu carro na porta da casa da sua mãe, nas esquinas das ruas Leonor Chrisman Mulle com Professor José Rodrigues, na entrada da comunidade, quando criminosos passaram no local atirando. O policial teria reagido e atingido por vários tiros, morrendo no local. Geraldo era PM desde janeiro do ano passado. 

Geraldo ainda estaria na companhia de um cunhado no momento que foi atingido. Alexsandro da Silva foi levado por familiares para o Hospital Albert Schweitzer. Ele deve contar a sua versão para a polícia nos próximos dias. 

Neste ano, mais de 100 policiais militares foram mortos no estado do Rio e, em mais de 80 casos, o crime ocorreu durante as folgas. O número de feridos em serviço chega a mais de 300, e passa de 500 se somados os que se feriram durante as folgas. Desde o início do ano, oito policiais de UPPs morreram em serviço.

Ataques a policiais marcaram as últimas semanas

O Rio passa por uma onda de ataques à policiais nas ultimas semanas.  Na terça-feira (2), policiais do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) prenderam dois homens e aprenderam um menor, todos suspeitos de envolvimento na morte do soldado Ryan Procópio, da UPP Vila Kennedy. Ryan, 23 anos, foi encontrado morto e com evidência de ter sido torturado dentro de um carro em Bangu, na Zona Oeste do Rio, na manhã do dia 25. De acordo com a polícia, o soldado, que estava de folga na data, havia sido torturado e morto com cinco tiros nas costas. Ao todo, 106 PMs já foram assassinados desde o começo do ano.

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Na quinta-feira (6), A base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi atacada por volta das 5h desta quinta-feira (4). Um policial militar, que estava a serviço, foi atingido na perna e no tórax e levado para o Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte.

O ataque aconteceu na base da Rua Armando de Albuquerque, que fica atrás do antigo Jardim Zoológico. Homens do 6º BPM (Tijuca) auxiliam policiais da UPP na busca pelos autores do ataque. O caso foi registrado na 20ª DP (Vila Isabel). Segundo a Assessoria de Imprensa da PM, o militar baleado na perna e nas costas e foi transferido para o Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio, em um helicóptero. O policial permanece internado e seu quadro de saúde é considerado estável. 

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Na segunda-feira (1º), o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, se reuniu com as policias Civil e Militar. Motivado pela onda de assassinatos de policiais militares, a intenção da reunião é de articular ações de segurança visando conter os ataques.

Beltrame afirmou ainda que a reunião tratou da questão da inteligência policial e do trabalho entre as policias civil e militar. “Algumas ações que precisamos conferir e confirmar. Acho melhor para todo mundo não comentarmos. Deixar que as coisas aconteçam. São questões estratégicas de inteligência, informações que as duas policias devem trabalhar de forma conjunta".

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* Com Agência Brasil