Suspeitos de matar e torturar soldado de UPP no Rio foram presos nesta terça

Dois homens e um menor foram apreendidos por possível relação com a morte de Ryan Procópio

Nesta terça-feira (2), policiais do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) prenderam dois homens e aprenderam um menor, todos suspeitos de envolvimento na morte do soldado Ryan Procópio, da UPP Vila Kennedy. Ryan, 23 anos, foi encontrado morto e com evidência de ter sido torturado dentro de um carro em Bangu, na Zona Oeste do Rio, na manhã do dia 25. De acordo com a polícia, o soldado, que estava de folga na data, havia sido torturado e morto com cinco tiros nas costas. Ao todo, 106 PMs já foram assassinados desde o começo do ano.

Também no dia 25, dois PMs foram baleados próximo à Avenida Brasil, em Guadalupe, na Zona Norte do Rio, e um deles morreu após ser atingido na cabeça. Os soldados Anderson de Senna Freire e Bruno de Morais faziam o patrulhamento de rotina na região e foram baleados dentro do carro. O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, defendeu a implementação de mais ações articuladas no combate à violência durante uma reunião com as polícias Civil e Militar nesta segunda-feira (1º). Somente na noite na noite de sábado (29), três policiais militares foram mortos no Rio.

Beltrame defendeu também que as ações sejam feitas de forma integrada com o Legislativo e o Judiciário. A reunião foi convocada após cinco PMs e um cabo do Exército morrerem em ataques em vários pontos do estado nos últimos seis dias. Os casos mais recentes são os da noite do último sábado (29), quando três policiais foram mortos em situações aparentemente distintas. Os crimes aconteceram em Rocha Miranda, Zona Norte do Rio; em Magé, na região metropolitana; e em Vilar dos Teles, distrito de São João do Meriti, na Baixada Fluminense.

O primeiro crime ocorreu por volta das 20h na Rua Lageado, em Rocha Miranda. O subtenente da PM Jorge Serrão, lotado no 21º BPM (São João de Meriti), estava próximo de sua residência e na companhia do filho quando foi abordado por dois criminosos. De acordo com informações do 9º BPM, o policial teria sofrido uma tentativa de assalto e acabou sendo morto ao tentar reagir. O filho não ficou ferido.

O segundo policial morto foi Diego Santos de Oliveira, policial militar lotado na UPP do Morro do Turano. O crime aconteceu em Vilar dos Teles. Diego estava acompanhado de seu irmão Diogo Santos de Oliveira e os dois teriam sido vítimas de uma tentativa de assalto na Estrada Santiago, próximo ao Morro das Pedrinhas. De acordo com informações do 21º BPM, o policial teria reagido ao assalto e acabou baleado. O irmão também foi atingido e os dois morreram ainda no local. Quem está investigando o caso é a Delegacia de Homicídio da Baixada Fluminense, que esteve no local realizando a perícia.

O subtenente identificado como Jorge Henrique Xavier, lotado no 16º BPM (Olaria), foi o terceiro morto no que também teria sido uma tentativa de assalto. Segundo informações do batalhão de Magé, o crime aconteceu por volta das 21h no município de Magé, no bairro de Suruí. Assim como o caso do policial Diego dos Santos de Oliveira, o caso do subtenente também será investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense.

Beltrame reforçou que os três casos teriam sido efetivamente tentativas de assalto e descartou a possibilidade de estar havendo uma ação organizada de extermínio de policiais. “Não tem uma ordem de presídio ou de facção com relação a mortes dos policiais. Não tem nenhum organismo de inteligência que tenha essa confirmação e que nos tenha repassado. O que a gente tem, a princípio, é que foram tentativas de assalto. Mas isso não interessa, nós vamos atrás dos autores desse episódio”, afirmou, após participar de um evento no Maracanãzinho, Zona Norte do Rio, neste domingo (30).

Beltrame afirmou que o assunto da reunião entre as polícias Civil e Militar foi totalmente estratégico e preferiu não comentar algumas das ações discutidas que, segundo ele, ainda precisaria ser conferidas e confirmadas. Mas adiantou algumas demandas. “Precisamos de ações institucionais articuladas, precisamos do Legislativo, do Judiciário, do sistema prisional, de um trabalho forte em fronteira, de segurança primária, de condições de ações fortes com relação a menores”, pontuou.

Entre os outros crimes contra policiais dos últimos dias, está a morte do cabo do Exército Michel Augusto Mikami, de 21 anos, após ser  baleado na cabeça durante um patrulhamento no Conjunto de Favelas da Maré, Zona Norte do Rio, na sexta-feira (28). O processo de pacificação das comunidades já tem seis anos e esta foi a primeira vez que um militar das Forças Armadas foi morto.

Também na sexta-feira, durante uma operação na Favela União, em Niterói, de tarde, um sargento do 12° BPM (Niterói) foi baleado no braço. Outro policial, do 9º BPM (Praça Seca), foi atingido por estilhaços durante outra operação no Morro São José Operário, na Praça Seca, Zona Oeste. No dia seguinte, por volta das 20h30, uma equipe da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Vidigal foi alvo de disparos vindos da comunidade Vila do João enquanto trafegava pela Linha Vermelha.

Outro caso aconteceu neste domingo (30), quando policiais do Batalhão de Policiamento em Rodovias (BPRv) faziam patrulhamento na Rodovia Amaral Peixoto, em Niterói e criminosos vindos da comunidade da Caixa D'Água apareceram já disparando contra a viatura. De acordo com a assessoria da Polícia Militar, ninguém ficou ferido.

*Do programa de estágio JB