Onda de violência: três policiais são mortos na noite deste sábado, no Rio

Com isso, o número de PMs baleados desde a última segunda feira (24) sobe para 14

Na noite deste sábado (29), três policiais militares foram mortos nos bairros de Rocha Miranda, Vilar dos Teles e Magé, no Rio de Janeiro. Segundo informações, os casos não têm ligação entre si, e os militares teriam sido vítimas de tentativas de assalto. Mas o fato é que estas três mortes acontecem numa semana marcada por ataques a policiais militares no Rio. Com as três mortes, o número de PMs baleados nos últimos dias sobe para 14, sendo que seis morreram.

O primeiro crime da noite aconteceu em Rocha Miranda, subúrbio do Rio, por volta das 20h. O subtenente da PM Jorge Serrão estava na companhia do filho, próximo a sua residência, quando dois bandidos os abordaram. Serrão tentou reagir e acabou morto. O filho do subtenente não ficou ferido.

O segundo caso aconteceu em Vilar dos Teles, distrito de São João do Meriti, na Baixada Fluminense. O policial militar Diego Santos de Oliveira, da UPP do morro do Turano, estava em companhia do seu irmão Diogo Santos de Oliveira quando foram vítimas de uma tentativa de assalto, próximo ao morro das Pedrinhas. O policial tentou reagir e foi baleado junto com irmão. Os dois não resistiram aos ferimentos e morreram no local. Os bandidos levaram a moto de Diogo, irmão do policial.

Já o terceiro caso ocorreu na cidade de Magé, no bairro do Suruí. O subtenente Jorge Henrique Xavier foi morto no que teria sido uma tentativa de assalto. De acordo com o batalhão de Magé, o crime aconteceu por volta das 21h.

Aparentemente os três casos não teriam ligação, a única proximidade entre os crimes é o horário no qual aconteceram, todos entre 20h e 22h.

As três mortes acontecem justamente um dia após o JB publicar uma reportagem sobre a atual onda de violência contra a polícia militar do estado do Rio de Janeiro. Em contato com a reportagem do JB, um policial que não quis se identificar por medo de retaliação por parte do crime organizado frisou que a população precisa entender que o policial não é um super-herói, e sim uma pessoa comum, como outra qualquer.

“As pessoas precisam ter a consciência de que o policial não é um super-herói, e sim um cidadão comum, que tem amigos, família. O trabalho do policial é dar segurança para a população e isso não é reconhecido. O que mais tem é órgão de direitos humanos querendo manchar a reputação da PM. Agora nós gostaríamos de ver esses órgãos nos defendendo, afinal, também somos humanos. Sempre recebemos notícias de que um companheiro foi assassinado de maneira brutal, e isso não pode continuar”, lamentou o policial.

O sociólogo, especialista em segurança pública e professor da UFRJ, Michel Misse, defendeu a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) nas comunidades, mas frisou que para melhorar a segurança é preciso modernizar a polícia.

“A instalação das UPPs foi algo positivo e que veio para ficar. No caso dessa onda de violência, eu creio que o bandido reage da maneira com que ele é tratado. A polícia é violenta, por isso o bandido ataca. Na ideia dele, ele mata para não morrer. Para melhorar os números seria preciso modernizar todo o sistema policial do país. Acredito até que a desmilitarização da polícia ajuda, despe a polícia desse aspecto militar”, comentou o sociólogo.

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