Mudanças nas linhas de ônibus no Centro complicam a vida dos passageiros

Falta de informação, confusão e preocupação com segurança foram principais fatores das reclamações

Quem esteve no Centro da cidade nesta segunda-feira (17) teve que ter uma boa dose se paciência. As mudanças de 89 linhas de ônibus,  – municipais e intermunicipais – que foram determinadas neste sábado (15), botaram os passageiros de ônibus a prova no primeiro dia útil após as alterações.  A cena mais comum, para quem caminhava pela Avenida Presidente Vargas era a confusão nos pontos e nos rostos dos passageiros que se aglomeravam na pista lateral e no canteiro central da principal via de acesso ao centro do Rio de Janeiro.

Segundo a prefeitura, das 89 linhas de ônibus, 62 são intermunicipais e 27 municipais. A mudança é necessária para as obras do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) que terá sua implantação iniciada a partir do dia 29 deste mês, numa quarta-feira. A via terá o trajeto sentido Candelária interditado, enquanto o sentido Aterro fica liberado.

Apesar da prefeitura ter afirmado que as informações estão sendo passadas à população, muitas pessoas afirmaram ter sido pegas de surpresa. Uma delas foi a estudante Bruna Macedo que precisou andar da Carioca até a Presidente Vargas para conseguir alguma informação sobre a nova localização do ponto final da linha 300, que faz o trajeto da Carioca até o bairro da Sulacap, zona oeste da cidade. “Cheguei no ponto final na Carioca e só tinha algumas placas avisando que o ponto final não era mais lá e sim na Presidente Vargas. Só aqui eu recebi um panfleto com as informações, ou seja, tive que andar até aqui para ter alguma informação”, reclama a estudante.

Além disso, enquanto a reportagem do JB conversava com a estudante, um dos ônibus da linha 300 passou direto do ponto, levantando uma onda de reclamações dos passageiros que já esperavam há mais de meia-hora pela chegada do ônibus. “Eu to achando horrível porque as pessoas estão perdidas. É preciso andar muito mais do que estava acostumada. E como você pode ver, os ônibus ainda passam direto. Quer dizer, como nem as empresas de ônibus estão sendo orientadas direito, como fica quem pega ônibus todo dia? Está uma bagunça! Quem mexeu no transito deveria ter uma preocupação com as pessoas que trabalham todos os dias na cidade”, reclama Jaqueline Lopes Dias, que já trabalhou durante 13 anos no Centro da cidade, mas que agora só visita a região esporadicamente.

Jaqueline revela outra preocupação em relação a essas mudanças nas linhas, os constantes assaltos na Presidente Vargas. “O trabalhador está completamente perdido, imagina o caos às 18h da tarde? Além disso, a Presidente Vargas está virando um ponto de assalto, eu mesma já fui assaltada, imagina quem está acostumado a pegar ônibus na carioca e é pego de surpresa por essas mudanças e vai ter que andar muito pra chegar aqui?” questiona.

Assim como Jaqueline, Barbara Castanheira, funcionário do governo do Estado, se mostrou preocupada com a quantidade de assaltos na via. “Até agora não passou nenhum ônibus aqui, está muito confuso. Os pontos já estavam muito distantes e o número de assaltos aumento bastante. A gente fica inseguro de andar sozinho a noite no centro para pegar ônibus no ponto. É muito fácil fazer essas mudanças quando não se anda de ônibus pela cidade” critica.

No entanto, a situação não está confusa apenas para quem pega ônibus na pista lateral da Av. Presidente Vargas. Nos pontos das pistas centrais a desordem também é grande. Elenir Cravo, que trabalha com telemarketing e precisou ir ao centro para um treinamento reclamou da confusão, apesar das informações dadas pelos agentes da prefeitura.  “É a primeira vez que estou vindo aqui desde a mudança e eu fiquei perdida hoje. O rapaz da prefeitura me informou, mas as coisas ainda estão muito confusas. Eu costumava pegar o 312 na pista lateral da Presidente Vargas e agora é no meio”.

Assim como Elenir, José Carlos, que trabalha como corretor, reclamou dos problemas resultantes dessa alteração nos pontos de ônibus. “No mesmo ponto sai ônibus para a zona norte, zona sul, ilha do governador. Antes, com as divisões dos BRS pelas regiões da cidade, era mais fácil saber qual ônibus pegar. O esquema está muito confuso”.

Apesar da dificuldade de adaptação das mudanças na cidade, novas alterações estão marcadas já para o dia 29 deste mês: a interdição de três das cinco faixas da Avenida Presidente Vargas à Avenida Beira –Mar para as obras do VLT.

SMTR  avalia o primeiro dia útil das mudanças no centro

Em  entrevista concedida nesta segunda-feira, o secretário Municipal de Transportes, Alexandre Sansão afirmou que as mudanças, resultantes das obras de implantação do VLT “são uma medida que pretende melhorar a fluidez no trânsito e nos corredores do BRS em função das interdições decorrentes das obras do Porto Maravilha”.

Segundo a assessoria, o trânsito foi acompanhado pelas câmeras do Centro de Operações Rio (COR) e não foi detectada qualquer alteração no trânsito da Presidente Vargas. No entanto, não houve informações sobre o balanço do trânsito na hora do rush. Na manhã desta segunda-feira foram relatadas retenções na Avenida Rio Branco, na altura da Avenida Presidente Wilson.

Sobre os ônibus que não estavam parando nos novos pontos determinados, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) declarou que alguns fiscais identificaram as linhas que não estão respeitando as alterações e que “providências já foram tomadas”. “As linhas de ônibus municipais, que não cumpriram as determinações de mudanças nos pontos de parada, estão sendo autuadas de acordo com o Código Disciplinar do Município. Já as linhas intermunicipais são multadas com base no artigo 187 do Código Brasileiro de Trânsito, que prevê penalidade por transitar em desacordo com a regulamentação estabelecida pela autoridade na Resolução 2518 de 2014 da SMTR. A fiscalização está sendo feita por agentes da SMTR, pela Guarda Municipal e pela Polícia Militar. Até o meio-dia de hoje (17), 30 veículos intermunicipais e cinco municipais do consórcio Transcarioca foram multados.”

Ainda, sobre a possibilidade de assaltos na Avenida Presidente Vargas, o secretário de transportes disse que "a SMTR tem o apoio da Polícia Militar através do Centro de Operações da Prefeitura. Caso sejam necessárias medidas adicionais de segurança pública, será feito o contato para que o problema seja resolvido. Assim vamos agir também em relação a qualquer problema verificado neste período de organização do novo sistema. Se verificarmos problemas, vamos ajustar", garantiu.

 *Do projeto de estágio do JB