Pedestres sofrem com passarela provisória próxima à Fiocruz

Depois de contato do JB, SMO disse que realizou reparos

A estrutura é de madeira. As tábuas estão soltando, os pregos ficam expostos e as brechas são perigosas. A travessia é insegura e bamba. Parece uma passarela emergencial, e era para ser. Mas já é a realidade da passagem de pedestres em frente à Fiocruz, na Avenida Brasil, há quase dois anos. A passarela deveria servir de acesso para a população acabou virando um grande problema. E já fez feridos.

Daniele Muniz da Silva é funcionária da FioSaúde, uma empresa ligada à Fiocruz. Ela fica do lado contrário à Instituição, e Daniele tem que atravessar diariamente o local. Apesar da insegurança, não há outra opção. A outra passarela fica longe e o caminho é perigoso. Mesmo sendo cuidadosa, na última semana, Daniele pisou em falso em uma das tábuas bambas de uma descida estreita e caiu, machucando o joelho.

“Sempre ando com muito cuidado. Infelizmente na hora que eu estava descendo, cai, bati o joelho direito e estou com meu pé esquerdo roxo. Estava descendo normalmente e pisei em falso. Esse lado que eu estava andando tem uma inclinação ainda maior e é mais estreita do que do outro lado. Ainda bem que uma conhecida estava próximo para me ajudar. Quando ela viu o que tinha acontecido, disse que eu tive muita sorte de não ter me machucado sério, porque o tombo foi feio”, diz ela.

Daniele não teve nenhuma fratura, mas está com um inchaço no joelho. “Inchou na hora, dava para ver por cima da calça” diz ela. E completa “Agora eu subo me segurando, cheia de medo. Era para ser uma passarela provisória mas provisória pelo resto da vida?”, critica ela, dizendo que os piores problemas são as brechas entre as tábuas de madeira e a madeira em si, já que quando chove, o piso fica escorregadio.

Justa Elena Franca é vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Fiocruz (Asfoc-Sn) e colocou uma faixa no local. “Não precisamos passar por isso. Passarela permanente já!”, diz o cartaz pregado no muro da Fiocruz. Ela diz que a passarela foi inaugurada depois da mudança de um ponto de ônibus que ficava em frente à Passarela Seis. Para melhorar o trânsito, o ponto foi transferido para quase 500 metros à frente, próximo a uma outra entrada da Fiocruz. Desde então, começou o transtorno.

“Essa passarela não traz segurança para as pessoas que transitam. Em maio protocolamos na prefeitura um ofício solicitando providências, solicitando a construção de uma nova. Em junho veio uma equipe, fizeram uns reparos e só isso. Mas o problema continuou. Essa passarela tem uns dois anos, e o provisório se tornou normal”, diz ela.

 Segundo ela, a única resposta da prefeitura foi através da Secretaria Municipal de Obras (SMO), que informou que uma nova passarela será construída quando obras da Transbrasil forem concluídas. Na tarde de ontem (29), a reportagem do JB contactou a SMO, questionando sobre as condições da passarela e se mostrando preocupada com a situação. Nesta terça (30), a Secretaria respondeu que mandou uma equipe para fazer reparos ainda nesta manhã. 

Eles ainda informaram que a passarela vem sendo fiscalizada periodicamente, apesar do estado que pode ser visto nas fotos. A SMO ainda reafirmou que a travessia será substituída durante as obras da Transbrasil, que estão sendo licitadas. Para Justa, esperar não faz sentido e mostra irresponsabilidade da prefeitura. “Não podemos esperar. Não faz sentido. Eu acho que a prefeitura está esperando alguém cair, alguém se acidentar seriamente”, completa ela.

 *Do programa de estágio do JB