Seminário São José completa 275 anos nesta sexta

Nesta sexta-feira (5) o Seminário Arquidiocesano São José completa 275 anos de história. As festividades começaram às 7h, em uma missa celebrada pelo cardeal Dom Orani Tempesta, em um evento interno. A data também é marcada por um Concerto Musical, na Igreja de Sant’Ana, no Centro, com a participação de seminaristas e de uma orquestra, no Centro. 

Nesta sábado (6), haverá uma missa às 8h30, na Igreja Nossa Senhora das Dores, no Rio Comprido. A missa será presidida por Dom Giovanni d’Aniello, Núncio Apostólico no Brasil, e celebrada por Dom Orani Tempesta, Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro. Serão admitidos 14 seminaristas que estão para concluir o primeiro ano de teologia. São esperadas pelo menos 2000 pessoas, além dos bispos de toda a Dioceses do estado do Rio de Janeiro. Em seguida, em um evento interno, haverá um almoço com os seminaristas e o Núncio Apostólico, representante do Papa no Brasil.

História

O Seminário São José foi inaugurado no dia 5 de setembro de 1739, por Dom Freire Antônio de Guadalupe. Inicialmente foi construído no Morro do Castelo, mas veio abaixo junto com a demolição da favela, no início do século XX. Depois, o seminário foi para o Rio Comprido. Contudo, por problemas financeiros, fechou as portas em 1907. Os seminaristas passaram a ir para São Paulo concluir seus estudos. Anos mais tarde, em 1924, foi reaberto em um palacete arrendado na Ilha de Paquetá. Em 1932, voltou para o Rio Comprido. Durante o governo de Dom Jaime de Barros Câmara foi iniciada a construção do prédio do seminário na Avenida Paulo de Frontin.

O Seminário já formou padres em todo o Brasil. Em 1928 foi adquirida uma fazendo em Itaipava, que serve como casa de férias para seminaristas e também para os encontros de estudo e retiros. Lá também acontecem atividades esportivas.

Reitores

O Seminário São José já foi conduzido por 49 reitores ao longo de sua história. Desde 2012, o reitor é o Padre Leandro de Souza Câmara, há oito anos seguindo a vocação. Ele conta que descobriu sua vocação em 1998 e estudou no Seminário São José. Foi ordenado em 2006. Aos 33 anos, ele relembra sua trajetória até chegar à reitoria do Seminário: "Como qualquer outro jovem católico, entrei para a pastoral da crisma, onde o jovem, quando atinge a idade da maturidade, confirma por si mesmo a sua fé. Nessa preparação da crisma, então, ao longo de todo trabalho de evangelização que foi feito comigo, ali eu fui descobrindo a minha vocação, que já tinha sua semente lá na infância. Eu acompanhava muito minha avó e meus pais na igreja. Meu desejo de infância era ser coroinha. Eu tinha desejo de servir a Deus de maneira mais intensa. Trabalhei em várias pastorais e sentia esse desejo. Fiquei pensando que tarefa podia abraçar na igreja que me comprometesse por inteiro. Decidi ser sacerdote, entregar minha própria vida".

Após concluir o seminário, o padre Leandro trabalhou em uma comunidade de Santa Cruz, no limite com Itaguaí. Após dois anos, ele foi chamado para trabalhar no Seminário, onde começou como prefeito de disciplinas da teologia, em 2009. Em 2011, se tornou vice reitor. Até que, em 2012, quando o reitor Dom Roque foi nomeado bispo, foi nomeado por Dom Orani como reitor na instituição em que se formou. 

Aos jovens que se sentem vocacionados, mas ainda têm dúvidas e medo, o padre diz: “Não tenham medo de prestar ouvidos à voz que clama no coração de vocês. Essa voz que os convida a servir a Jesus Cristo é a voz do próprio Senhor. Não tenham dúvida, não tenham medo de procurar o seu pároco, de vir ao seminário e fazer seu acompanhamento. Essa inquietude que está em seu coração é de Deus. Siga a Cristo de coração total, nunca pela metade. Existem muitos ruídos ao seu redor que tentam abafar a voz de Cristo, mas é preciso prestar atenção que na pessoa de Jesus Cristo encontra-se o sentido da sua vida. Uma pessoa que conhece a Cristo conhece o sentido da sua própria vida, é plena de razão da própria existência”.

O Seminário

Atualmente, 110 alunos estudam no Seminário São José, que se destaca por oferecer uma formação sacerdotal sólida e de referência, não apenas em ensino, como em metodologia pedagógica. Os seminaristas estudam durante sete anos, sendo três de estudo de filosofia e os outros quatro de teologia.

A rotina dos seminaristas é intensa e exige dedicação e compromisso com a fé. O dia começa às 5h50, quando os estudantes se levantam e começam a se preparar para o dia. Às 6h20 é feita a oração da manhã e a Lectio Divina, que consiste na leitura orante da Bíblia. Em seguida, de 7h às 7h20, os seminaristas tomam café da manhã para às 7h25 darem início aos estudos de formação intelectual e acadêmico. Às 12h45 é a pausa para o almoço, seguida por um período de descanso. Às 15h outras atividades são iniciadas de acordo com o dia da semana, como educação física, ensaio do coral, oração do Ângelus, adoração ao Santíssimo, terços e retiros.

Além do aprendizado em aula, os seminaristas realizam trabalhos em paróquias e com pessoas doentes. Aos sábados, coordenadores de diversas pastorais conversam com os alunos do Seminário sobre as organizações a que pertencem e, aos domingos, os seminaristas visitam as paróquias para colocar em prática o que aprenderam nas aulas.

No terceiro ano de teologia, quando já estão mais maduros em sua vocação, os futuros padres fazem visitas ao Instituto Nacional do Câncer (Inca). Lá, oram e levam palavras de conforto aos doentes e às suas famílias. Eles também participam das missas realizadas na capela do hospital.

Os alunos do seminário podem ingressar a partir dos 17 anos, com autorização dos pais. Se a vocação for descoberta mais tarde, o Seminário oferece uma condução específica para os futuros padres, de forma a mantê-los seguros de sua vocação.