Jandira discute políticas sociais para o Rio de Janeiro 

Debate reuniu especialistas de várias áreas

“Não basta ter opinião, temos que ter projeto. Opinião é insuficiente quando se pensa em mudar a qualidade de vida das pessoas”. Foi para um auditório lotado por mais de 100 pessoas que a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ) abriu os trabalhos do seminário Rio de Ideias, produzido em parceria do Partido Comunista do Brasil e a Fundação Maurício Grabois. 

O objetivo central do encontro era realizar um diagnóstico de cada área social e política do Rio, mas debater também propostas criativas para a pré-candidatura da parlamentar ao Governo do Estado. Representantes de diferentes entidades, movimentos sociais, sindicatos, universidades, além de gestores públicos, professores, profissionais de saúde, economistas e intelectuais, colaboraram com suas visões sobre o Rio.

Participante da mesa, o economista Mauro Osório destacou o desenvolvimento da região: “Ainda é baixo o Produto Interno Bruto na periferia da Região Metropolitana. É preciso políticas públicas de desenvolvimento econômico para fora da capital também. Um quarto dos jovens não trabalha e não estuda, o que representa quase 200 mil jovens. Na Baixada Fluminense é um terço. O grande problema chama-se periferia da Região Metropolitana, disse.

Já o engenheiro da COPPE/UFRJ, Fernando Macdowell, a mobilidade urbana precisa de soluções: “A cada seis carros, quatro estão congelados no trânsito do Rio. Estamos caminhando para trás na mobilidade urbana, se analisarmos bem. É importante trabalharmos em qualquer sistema de transporte com ao menos três grandes grupos e integrando transporte e urbanismo. Pavuna, por exemplo, tem uma concentração de 20% dos horários de entrada e saída da população. Se põe em um shopping, aumenta drasticamente. Tem-se que avaliar tudo juntamente e isso ainda não é totalmente feito, com prioridade.

Numa disputa em que surge com 6% das intenções de voto de acordo com Instituto Ibope, na frente do candidato do governador Sérgio Cabral e pouco atrás dos três primeiros colocados, Jandira expressou sua gratidão pelo encontro e citou os principais eixos que precisam de cuidado: Ficou uma marca deste Governo que é a falta de diálogo com as demandas sociais, o que é inadmissível em termos de gestão pública. Hoje você tem um estado fragmentado e com territórios divididos, onde a insegurança é muito grande. Vai da capital para periferia, passando pela região Metropolitana e Interior”, destacou.

Jandira também abordou a necessidade de um rumo novo no estado, iniciado com Lula e Dilma: Hoje o governo no Rio é marcado também pela promiscuidade com o poder econômico. Só uma correlação de forças pela esquerda pode mudar isto. E o PCdoB deve comandar esse rumo no Rio, pois tem potencial e representatividade. Ouvimos muito aqui e consideramos que romper com o Governo Cabral foi a melhor decisão, porque não estávamos concordando mais com a posição assumida distante do povo”, pontuou a parlamentar.

A deputada aproveitou para pontuar certos aspectos de política pública e suas pautas: “Precisamos de uma política integradora, uma gestão que pense todas as áreas sociais com vigor e empenho. A cultura e comunicação democrática, por exemplo, é uma pauta que precisa ganhar fôlego também no Governo do Rio. Hoje você não tem um gabinete digital ou uma televisão pública regional, que funcione”, discursou, finalizando o encontro e propondo novos seminários temáticos.

Vamos em frente, propondo ideias com criatividade, alegria e ousadia.

Também participaram o presidente estadual do PCdoB, Batista Lemos, o professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, Francisco Carlos Teixeira; Luis Carlos Martins, Prof do Instituto de Economia da UFRJ, Luis Martins; Luis Fernandes, Secretario Executivo do Ministério dos Esportes; Fernando Noronha da área da saúde; Aloisio Tibiriça, Vice-Presidente do Conselho Federal de Medicina; Daniel Ilescu, presidente da União Juventude Socialista; Paulo Cesar, diretor da FAMERJ; Humberto Lemos, presidente do Sindsama; Ana Rocha, Secretária Municipal de Políticas para mulheres; Ronaldo Lemos presidente da CTB/RJ; Alexandre Santini, Laboratório de políticas públicas culturais da UFRJ ; e a deputada estadual, Enfermeira Rejane.