CPI da Exploração Sexual: PF vai atuar em parceria com a Civil nas investigações

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual da Câmara Federal se reuniu nesta terça-feira (26) com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Leandro Daiello Coimbra, em Brasília, e no encontro ficou decidido que a PF vai atuar em parceria com a Polícia Civil do Rio nas investigações dos casos de crianças e adolescentes desaparecidos no Estado, desde o ano de 2001. A presidente e a relatora da CPI, deputadas federais Érika Kokay (PT-DF) e Liliam Sá (Pros-RJ), esclareceram à PF que algumas vítimas citadas nos trabalhos da CPI foram alvo de um homem identificado como Fernando Marinho de Melo, que presta serviços para a Marinha do Brasil e já foi condenado pelos crimes de furto e sequestro de menor.

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“O delegado disse que a Polícia Federal vai atuar junto com a Civil depois que tivermos uma audiência com a chefe da Polícia Civil do Rio, delegada Martha Rocha. A ideia é que todos os casos de crianças desaparecidas que estamos investigando e que estão espalhados em várias delegacias se concentrem em uma única delegacia”, informou a deputada Liliam Sá. Na última segunda (25), a equipe da CPI da Exploração Sexual esteve no Rio para ouvir os depoimentos de sete mães de meninas que desapareceram. A comissão acredita que as crianças podem ter sido vítimas de uma rede de prostituição que age no estado. Elisabeth de Lima Barros, mãe da menor Thaís Lima, sequestrada em 2002 quando tinha 9 anos, e Raquel Gonçalves, tia de Larissa Gonçalves Dias, desaparecida em 2008, com 11 anos, contaram detalhes de como as menores sumiram. As duas mulheres citaram o nome de Fernando Marinho como principal suspeito.

Na próxima terça-feira (3/12) o desembargador Paulo Rangel, do Tribunal de Justiça do Rio, vai dar a sentença do pedido feito pela equipe da CPI para aumentar a pena, além da prisão, de Fernando Marinho. Fernando já foi condenado a quatro anos de cadeia pelo furto de Larissa Gonçalves Dias e pelo sequestro de um menor, que conseguiu fugir e identificá-lo na delegacia. Mas a pena do acusado foi convertida em prestação de serviços comunitários.  

Fernando Marinho será ouvido pela CPI na próxima quarta-feira (4), em Brasília. Ele vai responder sobre as acusações de ter sequestrado  Larissa Gonçalves de dentro de sua casa, na Barreira do Vasco, em São Cristóvão. Na época, ele teria se apresentado como um técnico de TV e, segundo testemunhas, carregou a menina com o aparelho e a colocou em um táxi. Fernando foi reconhecido na delegacia pelo taxista e um primo da menor, que brincava com ela quando o episódio aconteceu. Além desse caso, Fernando também foi reconhecido como o sequestrador de Thaís de Lima Barros, levada do bairro de Vila Kennedy, além de outros casos envolvendo crianças e que ainda estão em fase de investigação.