Paes: bairro popular de Guaratiba não será erguido com fins imobiliários

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, frisou em coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira, na qual fez um balanço dos números da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2013, que a opção de construir um bairro popular em Guaratiba, no extremo oeste da cidade, não terá fins imobiliários e será destacado com uma única função: retirar de áreas de risco e degradação os moradores que hoje vivem em áreas irregulares.

“Não é para levar mais gente à Zona Oeste. A lógica da ocupação do meu governo é o contrário: é voltar para o Centro”, afirmou. “Temos o Jardim Maravilha, por exemplo, que tem gente em situação irregular, numa área irregular, que não é edificante, o mesmo acontece com as pessoas que moram à margem do rio Piraquê. O bairro popular é para quem mora em situação irregular. Ao invés de ser um loteamento para o empresário, seja ele quem for”, completou Paes.

O espaço batizado de Campus Fidei, ou Campo da Fé, com área de 1,7 milhão de metros quadrados, foi preparado durante cinco meses para receber a vigília e Missa de Envio do Papa Francisco dentro do cronograma da JMJ. Em função das condições do terreno, e da chuva que caiu na semana passada no Rio de Janeiro, o local se transformou num grande lamaçal inviabilizando os eventos, transferidos para o palco já montado em Copacabana.

Guaratiba, um dos bairros com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixos do Rio (118ª posição em 126 regiões pesquisadas), estaria em área de Área de Proteção Permanente e está sendo algo de investigação do Ministério Público. De acordo com Paes, “desde 2010, existe uma licença para um bairro popular (por parte do Inea, Instituto Estadual do Ambiente). Ninguém está construindo loteamento por enquanto. Conversando com o Dom Orani, vamos separar este investimento feito pela Igreja. É uma região que falta muito para fazer”.

O prefeito do Rio afirmou que na próxima quarta-feira convidará o próprio Ministério Público, junto com o Inea, para fazer um plano de ocupação de Guaratiba. “Temos que fazer esse diagnóstico das habitações ruins. Vamos fazer um concurso com um grupo de arquitetos para o projeto, e bancar isso com clínicas da família e 7 ou 8 escolas para Guaratiba. Não tem projeto pronto, mas não tem ilegalidade, e ninguém está fazendo loteamento”, reforçou.

Por fim, Paes ainda citou a questão das desapropriações que seriam necessárias para alocar as pessoas, posteriormente, para as casas que entrariam no programa federal do “Minha Casa, Minha Vida”. “A desapropriação será feita via judicial para que o perito possa dizer o valor da área, sem levar em consideração o valor investido pela igreja. É o máximo que eu posso informar sobre o bairro”, disse o prefeito, criticando, por fim, os órgãos da imprensa que noticiaram, de forma irresponsável em sua opinião, a cerca do papel da Igreja, que teria agido no processo de terraplanagem no Campo da Fé fora dos padrões legais.

“As coisas não podem ser jogadas ao ar irresponsavelmente. Essas coisas vão virando verdade, chuta de cá, de lá, e fica como se a igreja tivesse cometido uma irregularidade. É mentira, está tudo legalizado”, reiterou, argumentando ainda que o solo local é edificável e não corre o risco, por exemplo, de ter problemas estruturais como ocorreu com a Vila Pan-Americana, erguida em 2007.

“Se for feito da mesma maneira irresponsável, vai acontecer. ali na Vila dos Atletas (para os Jogos Olímpicos de 2016) estamos fazendo direito. Você tem como fazer isso, por isso o custo é mais caro, e precisa de muito aterro e fundações fortes. Tem que fazer bem feito”, finalizou, cutucando o eterno desafeto e ex-prefeito do Rio, César Maia, administrador da cidade na época do erguimento da vila dos atletas para os Jogos Pan-Americanos de 2007.