Rio de Paz faz campanha para ajudar família de Amarildo

O diretor da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, após visitar a família do pedreiro Amarildo de Souza, na comunidade da Rocinha, Zona Sul do Rio, ofereceu orientação jurídica e lançou campanha nas redes sociais para arrecadar alimentos e agasalhos em prol da mulher da vítima, Elisabeth Gomes Silva e seus seis filhos. Amarildo está desaparecido da Rocinha desde o dia 14 de julho, quando foi visto pela última vez sendo conduzido por policias militares à Unidade de Polícia Pacificadora na Rocinha. Antônio Carlos pretende, através da ONG, organizar novos manifestos populares e pacíficos na cidade, como o que ele liderou na semana passada, no Cristo Redentor, acompanhado por centenas de jovens que subiram ao monumento carregando faixas e cartazes perguntando “Onde está o Amarildo?”. Segundo o diretor do Rio de Paz, “o intuito dos atos é pressionar e constranger as autoridades governamentais e policiais para que elas possam dar solução ao caso o mais rápido possível”.

Em pesquisa realizada recentemente, Antônio Carlos divulgou no portal da ONG (riodepaz.typepad.com) os números alarmantes que revelam casos como do pedreiro Amarildo. Segundo o estudo realizado pelo Rio de Paz, do ano de 2007 até maio de 2013, 34.681 mil pessoas foram dadas como desaparecidas, com suspeita de morte violenta. Os dados são referentes apenas aos casos registrados em delegacias. “Essa pesquisa não considera a existência de cemitérios clandestinos e as denuncias de famílias que preferem procurar os seus entes sem fazer registro policial. Ou seja, a história é bem mais grave”, conta Antônio Carlos, lembrando histórias bem conhecidas e que não tiveram uma conclusão, como o da engenheira Patrícia Amieiro e da funcionária pública, Priscila Belford, irmã do lutador Vitor Belford.

O desaparecimento de Amarildo aconteceu em um momento que a população carioca se mobilizava para levar às ruas manifestações pacíficas, em prol de uma cidade melhor e por causas especificas de movimentos sociais e classes profissionais. Os movimentos sociais e atos de protestos organizados pelas redes sociais aderiram ao caso de Amarildo e o sumiço do pedreiro teve repercussão internacional, através da campanha “Onde está o Amarildo?”. Na análise de Antônio Carlos, apesar do clamor das manifestações na cidade, o que mais deu destaque ao fato foi o local de acontecimento, a comunidade da Rocinha e pela cobertura jornalística. “Quando temos uma harmonia entre o trabalho da imprensa e a adesão popular, o fato toma dimensões enormes. Não é por ter acontecido em uma comunidade que vai ficar impune, tem que ser apurado e, comprovado que houve crime, os responsáveis penalizados. O governo tem que atentar para esse momento. Eu acho que se as autoridades cariocas não tomarem uma providência urgente para resolver o caso desse morador da Rocinha, as manifestações vão crescer, vai todo mundo para as ruas perguntar onde está o Amarildo”, afirmou o diretor.

Durante a visita à Rocinha, Antônio Carlos ouviu relatos de moradores e caminhou por diversos pontos da comunidade, coletando dados para programar novas ações de apoio através da Ong. “Eu nunca tinha entrado na parte mais alta da Rocinha, na localidade chamada Pocinho, onde mora a dona Elisabeth e seus filhos. Fiquei impressionado com a miséria do lugar. No caminho encontrei muito lixo, esgoto à céu aberto, mosquitos. Como pode uma comunidade visitada por tantos políticos em períodos de campanha eleitoral ainda está nessas condições? E fica ao lado de São Conrado, uma das áreas mais valorizadas do Brasil. Nem nas comunidades de Jacarezinho e Manguinhos, que sempre costumo visitar, vejo um cenário assim”, relatou Antônio.

A campanha realizada pelas redes sociais da Rio de Paz foi uma das mais acessadas durante a semana. Foram mais de 300 mil clicadas pelo twitter. Antônio Carlos quer manter esse clima de solidariedade para organizar novas ações em benefício da família de Elisebeth e Amarildo, que devem acontecer nos próximos dias. “Vamos usar o nosso regime democrático para mudar a história de impunidades no país. Atos duros como as que estamos vendo com esses vândalos, que infiltram nas manifestações para atrapalhar um ato legítimo, são comuns em países de ditadura. Não condiz com a nossa realidade. A nossa ferramenta tem que ser de paz”, disse Antônio.