Manifestantes fazem novo protesto contra o governador Sérgio Cabral

Policial justifica ausência de identificação na farda pela falta de tempo para confecção

Cerca de 600 pessoas fizeram uma manifestação na tarde desta quinta-feira (25) em frente à casa do governador Sérgio Cabral, no Leblon, na Zona Sul do Rio. Por volta das 19:30, os manifestantes, acompanhados por policiais, começaram a se dirigir até a loja Toulon, na Av. Ataulfo de Paiva, onde houve saques no protesto da semana passada. A intenção era mostrar que foi dada mais importância por parte da mídia e do estado à confusão na loja do que ao desaparecimento do pedreiro Amarildo e à chacina na comunidade da Maré. Em seguida, eles seguiram até Copacabana, onde houve a cerimônia de acolhida dos jovens da Jornada Mundial da Juventude, com a presença do Papa Francisco. 

No início da mobilização, quando as pessoas começavam a chegar, policiais revistavam as mochilas dos presentes. O tenente coronel Mauro, coordenador da operação, afirmou, em depoimento à mídia ninja, que faz a cobertura do evento, que os PMs não iriam utilizar munição letal e justificou a falta de identificação nominal dos agentes na farda, principal reclamação dos manifestantes, pela falta de tempo para a confecção das mesmas.

Os policiais, então, utilizavam uma identificação alfa numérica, com uma letra seguida por um número. Um forte aparato de segurança foi mobilizado, incluindo a presença de dois caveirões posicionados em frente à residência do governador, na rua Aristides Espínola. Diferentemente da última manifestação, onde os policiais só ficaram atrás de uma barreira armada, desta vez, alguns poucos PMs transitavam no meio da manifestação procurando dialogar com os manifestantes.  As pessoas protestaram pacificamente, gritando palavras de ordem contra Cabral e Eduardo Paes e pedindo explicações sobre o paradeiro Amarildo Dias de Souza, desaparecido há 13 dias desde que foi pego na Rocinha por policiais da UPP.

O grupo partiu da região da residência de Sérgio Cabral, no Leblon, e caminhou até Copacabana, obtendo adesões ao longo do percurso, pelas ruas de Ipanema.Aos gritos de "Vamos peregrinar em Copacabana!" - o protesto chegou à Avenida Atlântica, onde milhares de jovens católicos dançavam e cantavam na areia após o discurso de boas-vindas do Papa à Jornada Mundial da Juventude (JMJ), assistido por quase 1,5 milhão de pessoas.

A polícia, que a princípio tentou impedir o avanço do grupo, terminou escoltando a manifestação, que segundo seus líderes é pacífica.

"Papa, Papa, solta o dinheiro que queremos saúde e educação", repetiam os manifestantes, em referência aos 53 milhões de reais gastos com a JMJ, em meio a insultos ao governador Sérgio Cabral e ao PMDB.

"A manifestação não é contra a JMJ, mas contra o governo de Sérgio Cabral", resumiu Romario Barbosa, um estudante de 23 anos.

As principais reivindicações dos manifestantes, conforme descrito no evento do facebook são: a CPI da Delta; CPI da Copa; CPI do Helicóptero (em alusão ao escândalo dos “voos da alegria); Desmilitarização da Polícia; Contra a privatização do Maracanã;Contra o fim do Museu do Índio; Contra a remoção da Aldeia Maracanã ; Contra as remoções compulsórias e privatizações por conta da Copa; Pela saída do Governador Sergio Cabral e Luiz Fernando "Pezão"; Revisão de todos as licitações em vigência.

Na rede social, usuários demonstravam preocupação com a infiltração de policiais que vem ocorrendo nos protestos, informação comprovada pela própria PM, e, por isso, alertavam para que as pessoas filmassem o máximo que pudessem no local. Este foi o sétimo protesto em frente à casa do governador.

Mais cedo, no posto 12, em frente à Aristides Espínola, pessoas se reuniram durante a tarde para recolher mantimentos e donativos destinados à família de Amarildo. A frase “Onde está Amarildo?” já é uma das principais ilustrações de cartazes presentes nos recentes protestos da cidade.