PM admite que agentes participaram das manifestações

Comando esclarece que participação foi apenas para observar

A Polícia Militar do Rio de Janeiro emitiu na manhã desta quarta (24/07) uma nota de esclarecimento aos veículos de comunicação sobre a participação de agentes da corporação disfarçados na manifestação que aconteceu na cidade na segunda-feira passada (22/07), próximo ao Palácio Guanabara, onde acontecia a recepção protocolar da visita do Papa Francisco ao Brasil. A nota é em resposta aos vídeos veiculados nesta terça (23/07) pelas redes sociais. A PM admitiu que "em nenhum momento negou que a sua Inteligência não tivesse agentes acompanhando a manifestação", mas afirma que os agentes atuavam apenas na observando.

Os vídeos divulgados por comunidades virtuais que estão organizando manifestações na cidade, mostram cenas onde supostos policiais do serviço reservado (P-2) da Polícia Militar aparecem disfarçados na manifestação que acontecia perto da sede do governo estadual, em Laranjeiras, Zona Sul da cidade. Internautas chamavam a atenção para determinados momentos dos vídeos, um deles a imagem mostrava um dos homens atirando coquetéis molotov contra a PM. Ele seria um dos agentes disfarçados.

Em outras imagens dos vídeos, dois supostos agentes quebram a barreira policial e são revistados por soldados, mas ao mostrarem a identificação, são liberados imediatamente. Os homens estavam vestidos com camisetas bem parecidas com as dos manifestantes que arremessavam coquetel molotov contra PMs. Em outro trecho, um homem também com roupa bem semelhante, corre apontando aos policiais um determinado manifestante, que logo em seguida é abordado com violência, inclusive chutes. Na sequência de imagens, esse homem retira a camiseta e passa tranquilamente pela barreira formada pela PM.

A Polícia Militar negou os fatos. "Imaginar que um policial vá atirar um coquetel molotov em colegas de profissão, colocando suas vidas em risco, é algo que ultrapassa os limites do bom-senso e revela uma trama sórdida para justificar a violência criminosa desses vândalos", diz a nota.

Veja, na íntegra, a nota oficial divulgada pela Polícia Militar:

“Esclarecimentos quanto ao emprego de Agentes de Inteligência (P-2) nas manifestações

1- No conflito da noite de segunda-feira (22/07), a PM prendeu em flagrante Bruno Ferreira, sob acusação de ter atirado o coquetel molotov que deixou dois policiais com queimaduras no corpo. Bruno foi solto pela Justiça na noite desta terça-feira por falta de materialidade.

2- Em nenhum momento a PM negou que a Inteligência não tivesse agentes acompanhando a manifestação, com o objetivo de obter informações e prever movimentos. Estas informações são importantes para as decisões de comando.

3- Estes agentes de inteligência trabalham apenas com a observação. Imaginar que um policial vá atirar um coquetel molotov em colegas de profissão, colocando suas vidas em risco, é algo que ultrapassa os limites do bom-senso e revela uma trama sórdida para justificar a violência criminosa desses vândalos.”