OAB alerta governo para arbitrariedades da PM nas manifestações pacíficas

O presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Wadih Damous, alertou nesta quinta-feira (27) o governo do estado para as arbitrariedades praticadas pela Polícia Militar nos últimos dias contra manifestantes e populares na cidade do Rio de Janeiro. "É preciso mudar esse comportamento, inadmissível num regime democrático. É, também, inaceitável que os presos nas manifestações sejam acusados de formação de quadrilha, recurso que nem a ditadura militar usou. O direito de manifestação política de forma pacífica é assegurado na Constituição e cabe às autoridades respeitá-lo", disse.

Damous lembrou que a PM não fez um trabalho preventivo para proteger possíveis alvos de vandalismo, como a Assembleia Legislativa e a Prefeitura. "Depois que estes fatos aconteceram, passou a prender e atacar com violência de forma indiscriminada quem estava nas ruas, independentemente de as vítimas de sua violência terem ou não participado de depredações ou até mesmo das manifestações", acentuou.

"A Polícia Militar é para ser respeitada e não temida e odiada pelos cidadãos de bem. Em virtude desse tipo de atuação, já começo a perceber a volta do clamor público pela extinção da PM", disse. E acrescentou Damous: "se arbitrariedades continuarem a acontecer, esse clamor se tornará incontrolável".

"Da mesma forma, é intolerável o comportamento da PM no Complexo da Maré, depois da lamentável morte de um sargento da corporação, assassinado por traficantes nesta terça-feira. Toda a população local foi submetida a um verdadeiro estado de sítio, proibida de deixar suas casas e a polícia matou pelo menos nove pessoas. Esperamos que o governador Sérgio Cabral tome as providências que a seriedade da situação exige", concluiu Damous.