Cabral diz que atos de vandalismo não devem ser tolerados

Governador do Rio elogia luta dos jovens, mas acha que violência prejudica esse debate

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (21), o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse que atos de vandalismo não devem ser tolerados nas manifestações que tomam conta das ruas de várias cidades, mas elogiou as lutas dos jovens. "Os debates devem ser aprofundados. Temas que os jovens estão levando para as ruas são temas muito importantes: a luta por causa como a educação, a saúde, contra a corrupção, a luta contra a PEC 37, à qual me associei", afirmou.

Segundo o governador, os atos de vandalismo prejudicam esses debates. "As lutas pelos direitos civis, contra o preconceito contra os homossexuais, contra o preconceito racial, religioso, todos esses temas são louváveis de serem debatidos. Mas os atos de vandalismo estão prejudicando o debate democrático, o debate saudável", salientou.

"Toda vez que se vai ao radicalismo extremo quem perde é a sociedade brasileira", acrescentou o governador.

"Nós não temos a pretensão da hegemonia do debate, que deve ser totalmente aberto, mas dentro de um ambiente de respeito e tolerância. Não há como uma manifestação democrática, pacífica, ao ser convocada pelas redes sociais, ter lojas, shopping centers, como hoje, fechando por temer as manifestações", prosseguiu Cabral, em referência aos comunicados emitidos pelos shoppings da Barra da Tijuca, anunciando o fechamento mais cedo das lojas.

O governador do Rio disse também que o Estado procurou garantir a ordem pública. "Claro, que num momento, quando o radicalismo aconteceu, o Estado foi obrigado a agir. E aconteceram coisas muito injustas com profissionais, inclusive da imprensa, como o repórter da Globonews que foi atingido por uma bala de borracha no exercício da sua profissão", disse Cabral.

Cabral criticou ainda a destruição dos pontos de ônibus e prédios das prefeituras pelo Brasil, a depredação do Itamaraty e outros atos de vandalismo durante os protestos. "Temos de garantir o ambiente democrático no país", ressaltou.

"Nós temos condições de garantir os eventos. Temos condições, sobretudo, de garantir que as manifestações legítimas, democráticas, sejam realizadas de maneira respeitosa, dentro do marco civilizatório que o Brasil alcançou", afirmou.

"Do ponto de vista da ordem pública, em qualquer lugar do mundo, quando há um ato de vandalismo, não há nenhuma causa que justifique. Se botarem fogo no seu carro ou no carro do Estado de S.Paulo, não há algo que justifique", enfatizou o governador, respondendo a pergunta de repórter do jornal paulista sobre a atuação da polícia.

Questionado por um repórter por que acha que se tornou o principal alvo do protesto, Cabral respondeu: "Isso é uma interpretação sua". O governador do Rio disse, no entanto, que não é 'unanimidade' nem detém o monopólio da opinião pública.

E obre os possíveis excessos cometidos pela polícia, especialmente na Lapa, Cabral disse que eles têm que ser coibidos e os autores, punidos, de ambos os lados. "É procedimento verificar excessos. Graças a Deus temos um secretário da Segurança o tempo todo coibindo excessos. Aqueles que cometem excessos devem ser punidos, de ambos os lados", concluiu.