Abalados, pais de menino assassinado por manicure não prestam depoimento

O advogado da família do menino João Felipe Eiras Santana Bichara, de 6 anos, que foi assassinado na segunda-feira (25), esteve na 88° DP (Barra do Piraí) na manhã desta quarta-feira (27) para justificar a ausência dos pais da vítima, Heraldo Júnior e Aline. Jorge Roberto da Cruz declarou que o casal está sem condições de dar depoimento neste momento. 

O advogado também afirmou que a família ainda não definiu se vai entrar com uma ação na justiça contra a escola do menino, que teria liberado sua saída no dia do crime. O delegado, José Mário Omena, declarou que nesta quarta-feira pretendia ouvir os pais de João Felipe para tentar entender a motivação do crime.

João Felipe Eiras Santana Bichara foi encontrado morto dentro de uma mala. A manicure Suzana do Carmo de Oliveira Figueiredo, que confessou o crime, afirmou ter tido um relacionamento com o pai do menino. Suzana passou a primeira noite na cadeia pública Joaquim Ferreira de Souza, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.

O corpo de João Felipe foi encontrado na cidade de Barra do Piraí, no Estado do Rio de Janeiro, em uma mala na casa da manicure Suzana do Carmo, de 22 anos, que trabalhava para a mãe da vítima e acabou confessando o crime. 

Suzana fez contato com o colégio de João Felipe pedindo para ele ser liberado para ir ao médico. A escola, Instituto de Educação Nossa Senhora Medianeira - uma das mais tradicionais da região -, acabou liberando a criança. 

A família do menino é dona de uma imobiliária na região. Ela chegou a usar a página do Facebook para pedir informações sobre João Felipe. Depois, quando soube da morte do menino, mensagem falava em luto da família. O caso foi registrado na 88ª DP (Barra do Piraí).

De acordo com a polícia, por volta de 14h30 da tarde de segunda-feira, a manicure ligou para a escola se fazendo passar pela mãe da criança. Ela teria dito que a babá tinha se enganado ao levá-lo para a escola, já que ele precisava ir ao médico. Em seguida, a manicure pediu que João Felipe fosse colocado em um táxi. Ainda segundo a polícia, Suzana teria levado a menino para o Hospital São Luiz, no Centro da cidade, e o asfixiado. 

No fim da tarde, a mãe do menino foi à escola buscá-lo. Foi quando ficou sabendo do ocorrido e entrou em contato com a polícia, que iniciou então as investigações.

A manicure teria chamado um outro taxista para levá-la em casa, com o objetivo de não gerar suspeita, mas o motorista teria estranhado o fato de o menino não se mexer durante o trajeto e acabou avisando à polícia.

A manicure foi presa em flagrante e indiciada pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, emboscada e por ocultação de cadáver. Ela não tem passagem pela polícia. De acordo com as investigações, a mulher teria agido sozinha.  O delegado acredita que o motivo tenha sido vingança. "Não fiz isso sozinha", declarou na delegacia. Suzana também afirmou, em uma das versões apresentadas, que teria tido um relacionamento com o pai do menino.

Foram encaminhadas para a perícia a mala e as toalhas que teriam sido usadas para a asfixia. O corpo da criança foi enterrado na terça-feira (26).