Índios da Aldeia Maracanã chegam a alojamento em Jacarepaguá, no Rio

Cerca de 20 índios que deixaram voluntariamente, na sexta-feira (22), o prédio da Aldeia Maracanã (antigo Museu do Índio), na Zona Norte do Rio, chegaram por volta das 10h deste domingo (24) ao alojamento construído pelo governo do Estado em Jacarepaguá, na Zona Oeste.  A desocupação da aldeia, na sexta-feira, foi marcada pelo confronto com policiais do Batalhão de Choque da PM.

Também neste domingo, por volta das 4h da madrugada, a polícia fechou a rua da sede do atual Museu do Índio, na Rua das Palmeiras, em Botafogo, para retirar cerca de 60 pessoas que estavam no local. Índios e manifestantes teriam saído do Hotel Acolhedor Santana 2, no Centro (para onde foram levados pelo governo do Estado após a retirada da Aldeia Maracanã), e se encaminhado para o prédio. No início da manhã, o grupo já havia sido retirado do local e foi levado para a sede da Justiça Federal, no Centro. 

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Neste sábado (23), funcionários do Estado concluíam a montagem das instalações que abrigarão os índios que foram retirados da Aldeia Maracanã. O local onde foram construídos os alojamentos abriga a antiga colônia de Curupaiti, destinada a portadores de hanseníase. O terreno é ocupado por cerca de 2 mil pessoas, sendo 250 hansenianos. O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) emitiu nota oficial destacando que não se opõe à chegada dos índios, mas reforçando que a ocasião é uma oportunidade para reflexão sobre como a sociedade lida com o problema das populações historicamente excluídas. "As pessoas atingidas pela hanseníase e os indígenas, que lutam pela manutenção de sua identidade étnica e pelo exercício de sua cidadania, fazem parte deste grupo."

Veja a nota:

O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN) vem tornar pública a sua posição em relação à possibilidade da antiga colônia de Curupaiti, em Jacarepaguá, receber os índios retirados da Aldeia Maracanã na manhã desta sexta-feira, 23/03. O Morhan atua há mais de três décadas no enfrentamento do preconceito e do estigma ainda associado à doença, sendo um movimento que valoriza e busca a garantia dos direitos humanos.

Em função disso, deixamos claro que o Morhan não se opõe a chegada dos índios, que serão bem recebidos pela população que hoje vive na antiga colônia. Porém, a ocasião é oportunidade valiosa para uma reflexão sobre como a sociedade lida com o problema das populações historicamente excluídas. As pessoas atingidas pela hanseníase e os indígenas, que lutam pela manutenção de sua identidade étnica e pelo exercício de sua cidadania, fazem parte deste grupo.

Terreno

Os índios escolheram na sexta-feira o terreno de Jacarepaguá, oferecido pelo governo do estado, para construir o alojamento provisório. Em nota, o governo afirmou que o Centro de Referência da Cultura Indígena, que antes seria na Quinta da Boa Vista, também será construído no local. No entanto, de acordo com o cacique Carlos Tukano, um dos líderes do grupo, ainda haverá um diálogo sobre essa possibilidade, pois os índios preferem que o centro de referência seja no Centro da Cidade.

"Escolhemos o terreno em Jacarepaguá que é uma área ampla, com bastante vegetação, mas o Centro de Referência Indígena queremos na região central. Vamos sentar para conversar com o governo sobre essa questão", afirmou Tukano.

Os indígenas visitaram na sexta (22) os três locais oferecidos pelo estado, acompanhados da subsecretária de Assistência Social e Descentralização da Gestão, Nelma de Azeredo, e optaram pelo terreno de Jacarepaguá, que tem dois mil metros quadrados. Além do bairro da Zona Oeste, eles tinham a opção de escolher um espaço em Bonsucesso ou ao lado do galpão da empreiteira Odebrecht, na Avenida Visconde de Niterói.

“Os índios foram conhecer o espaço que lhes oferecemos em Jacarepaguá, na antiga Colônia Curupaiti, e gostaram tanto que decidiram ficar por lá desde já. Eles decidiram também que o Centro de Referencia da Cultura Indígena será construído na mesma área. Isso torna tudo mais fácil, porque não teremos que esperar o presidio da Quinta da Boa Vista ser desativado para começarmos as obras do Centro”, afirmou o secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Zaqueu Teixeira, contrariando Tukano no que se refere ao Centro de Referência Indígena.

Os alojamentos para residência temporária contarão com beliches, contêiner cozinha e contêiner banheiro, sendo um feminino e um masculino.