Idosos têm casa destruída, mas escapam de deslizamento em Petrópolis

Enquanto boa parte dos órgãos públicos se mobilizam para encontrar vítimas e tentar minimizar os efeitos das chuvas nos bairros Quitandinha e Alto Independência, em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, pessoas afetadas pelas chuvas, a poucos metros dali, reclamam da presença quase nula das autoridades desde domingo. No bairro Rio de Janeiro, vários deslizamentos de terra e barreiras nas ruas podem ser observados, e a falta de vítimas fatais na região parece ser obra do destino. É o caso dos sogros do caminhoneiro Djalma Kreisher, 66, cuja casa foi quase que completamente destruída por um deslizamento de terra, e que saíram sem qualquer arranhão.

“Foi impressionante, um milagre. Eles saíram com cara de assustados, mas não tiveram nada. E olham que eles têm mais de 80 anos”, afirmou Kreisher, no terreno onde ocorreu o deslizamento, observando o cenário de destruição.

Esse panorama inclui, além da casa destruída, o caminhão de Kreisher, arrastado pela terra que desceu do barranco, e quase foi parar no meio da rua. A casa onde o caminhoneiro mora, um pouco acima dos sogros, escapou por pouco. Sob risco de o imóvel desabar, Kreisher foi para a casa da filha, mas já planeja voltar para a sua residência. Diz que ninguém da Defesa Civil passou ali para orientá-lo. 

“Não dá para dizer que não tem perigo, mas tenho que voltar, né?”, observa. “Aqui não teve nenhum morto, graças a Deus. Gente morta é que dá ibope, né? Então, ninguém aparece aqui”, comenta o pedreiro João Batista Nunes, 49. Morando no bairro desde os 2 anos de idade, ele salienta não se lembrar de chuva com intensidade semelhante por ali.

“Já vi chuva forte por duas horas. Mas por mais de 24 horas, nunca vi. Choveu demais, era muita água”, acrescenta.

Os ônibus que têm itinerário passando pelo bairro não estão circulando por ali, e trechos da rua estão tomados por barreiras. Nunes contou não ter conseguido sair para trabalhar na segunda-feira. “Ficamos ilhados”.

Com muito bom humor, apesar da tragédia, Djalma Kreisher lembra do susto que passou durante o forte temporal de domingo, e comemorava, aliviado, o fato de ainda poder aproveitar seu caminhão, que usa para fretes. “É meu ganha-pão. Ainda bem que ele ficou quase intacto”, completou.