RJ: fiéis e moradores próximos de igreja onde padre atuou estão perplexos

"O que você quer saber sobre o padre?", disse uma funcionária, que desde o início não quis se identificar, após a reportagem se apresentar já dentro dos aposentos da igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Foi nesta paróquia que o padre Emílson Soares, 56 anos, acusado de molestar duas meninas quando ainda eram menores de idade, celebrou missas e esteve próximo de fiéis e moradores que agora se dizem perplexos com uma denúncia tão grave.

"Quando veio a notícia, ficou todo mundo ligando um para o outro. Só acreditamos porque tinha as imagens. Foi um choque muito grande"' afirmou a personagem que preferiu o anonimato. Aliás, é preciso muita insistência para obter depoimentos na região. Reina certo receio. "Essa igreja tem muita história para contar", disse uma senhora, que passou batido, sem querer dar maiores detalhes.

Emílson esteve à frente da paróquia por quatro anos e, de acordo com uma outra funcionária, que também não quer dar o nome porque tem medo de seus superiores não aprovarem sua conduta, "nunca vi nada que desabonasse sua honra". "Trabalhei na catequese e a porta ficava sempre aberta. Não posso acreditar até agora, é surreal. A surpresa foi grande para gente como foi para todo mundo do bairro", completou.

Seu Albino Soares, cuja borracharia ao lado da igreja já prestou serviços ao próprio padre acusado, diz que "ele sempre foi um bom cliente, honesto, não pude acreditar que ele fosse capaz disso". Mesmo espanto de dona Yeda Corrêa, aposentada e moradora do bairro Santa Rosa, onde se localiza a paróquia que sempre frequentou como católica. "Se a gente não pode confiar num padre, em quem mais então? É por isso que o papa renunciou. Estou estarrecida", desabafou.

O padre Emílson Soares Corrêa foi afastado das funções por tempo indeterminado pela Arquidiocese de Niterói, que aguarda pelas investigações para determinar ou não a sua expulsão e entregar o caso para o Ministério Público.

Enquanto isso, numa rua estreita, que mais lembra uma passagem para uma vila ao fundo, a menos de 200 metros da igreja, está a casa onde moram o pai Ubiratan Homsi e as meninas supostamente abusadas. Todos eram frequentadores assíduos da igreja comandada por Emílson e são figuras conhecidas nas redondezas.

"A gente conhecia eles aqui como 'família 171', sempre tivemos essa impressão", contou a funcionária que trabalhou na catequese de Emílson. "Não estou querendo passar a mão na cabeça dele, que errou e tem que pagar por isso, mas não duvido que eles tenham pedido dinheiro", explicou ela, que via as filhas como aproveitadoras da boa condição financeira do padre.

Ubiratan Homsi nega que tenha tentado extorquir o padre, mas foi denunciado pela delegada à frente do caso. A filha mais velha, que aparece nas imagens que chocaram o País, foi instituído pela família como padrinho de batizado. A finalização do inquérito da Polícia Civil vai apontar se apenas o padre tem culpa nesta história.