Rio: testemunha diz que juíza mencionou ameaças três vezes

O promotor Paulo Roberto Cunha, que trabalhava com Patrícia Acioli na 4ª Vara Criminal de Niterói, mencionou em seu depoimento nesta terça-feira que a juíza afirmou três vezes que sabia da intenção do tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, que comandava o 7º BPM (São Gonçalo), de matá-la. Ele disse que só não denunciou o então comandante porque lhe faltavam dados concretos e seus informantes não aceitaram formalizar as denúncias.

Cunha informou, durante o julgamento de três acusados de envolvimento no assassinato, que a promotoria e a juíza faziam um trabalho para investigar os autos de resistência (documentos para justificar mortes praticadas por PMs) registrados por policiais do batalhão. Neste trabalho, foram feitas 56 denúncias contra agentes do 7º BPM cujas justificativas não batiam com a perícia. Quando integrantes do batalhão foram presos, Oliveira ficou incomodado com Patrícia e pediu ao comandante-geral da PM Mário Sérgio de Brito Duarte para retirar a escolta da juíza.

"Ela ficou num dilema. Ninguém que falou da intenção do coronel queria colocar isso no papel. E como já havia animosidade entre eles, podiam achar que ela estava tentando tirá-lo do comando do batalhão", disse o promotor, que questionou Duarte sobre a retirada da escolta da juíza quando o clima ficou pesado em São Gonçalo.

"Duarte me disse que a intenção era cortar a ligação da juíza com os policiais, que estariam insuflando seus colegas de batalhão contra Oliveira", lembrou o promotor. Cunha não deu mais informações sobre o envolvimento dos três acusados - os PMs Jeferson de Araujo Miranda, Júnior Cezar de Medeiros e Jovanis Falcão Junior -, que estão sendo julgados no 3º Tribunal do Júri de Niterói.

Outra testemunha do caso, Ana Cláudia Abreu Lourenço, que foi advogada do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), afirmou que Miranda teria voltado atrás de sua intenção de fazer a delação premiada porque fora ameaçado pelo tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira. "Jeferson disse que não foi matá-la, mas sabia que ela seria executada. Contou que o coronel havia dito que covardia se combatia com covardia", disse ela.

O assassinato de Patrícia Acioli

Patrícia foi assassinada com 21 tiros em agosto de 2011 quando chegava em sua casa, em Piratininga, Niterói. O caso teve a primeira condenação em dezembro do ano passado quando o cabo da polícia militar Sérgio Costa Junior, réu confesso, foi condenado a 21 anos de prisão. Ele admitiu ter atirado 15 vezes na juíza e obteve a delação premiada, que diminuiu em 15 anos a sua pena.

A Justiça ainda não tem data para os julgamentos dos dois principais acusados do crime: o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, que comandava o 7º BPM (São Gonçalo) na época do assassinato e teria sido o mandante do assassinato, e o tenente Daniel dos Santos Benitez, que chefiava diretamente o grupo de PMs acusados do crime.