Rio: polícia vai indiciar duas mulheres por maus-tratos a idosa

A Polícia Civil do Rio vai indiciar pelo crime de tortura duas mulheres flagradas agredindo uma idosa de 99 anos, segundo o Jornal Nacional. O vídeo que mostra as agressões foi exibido no domingo pelo Fantástico. Imagens mostram a auxiliar de enfermagem falando ao celular, a cozinheira da casa, que pinta as unhas, e a mulher de quase 100 anos. Durante os 20 minutos em que tenta se levantar do sofá, ela é agredida pelas duas mulheres que foram contratadas para cuidar dela. Quando a idosa está quase de pé, a auxiliar de enfermagem a puxa pela calça. Depois a cozinheira começa a fazer as unhas da cuidadora. A idosa consegue se levantar e parece fazer alguma reclamação. Ela leva um travesseiro na cara. 

Em outro momento, a cozinheira dá várias palmadas, são pelo menos dez. A senhora fica imóvel, enquanto a agressora não demonstra nenhuma preocupação. Ela até dança. Mais tarde a cozinheira tenta sentar a idosa em uma cadeira de rodas. As duas caem, mas em vez de levantá-la, a cozinheira parece gritar. A mulher fica no chão por sete minutos. Quem gravou tudo foi o filho da vítima.

“O que me chocou foi exatamente a indiferença e a frieza dessas mulheres em relação a isso, fora as agressões que ela sofreu”, disse. Nesta segunda-feira, o filho da cozinheira Maria José de Lacerda disse que a mãe não daria entrevista. “Ela só vai falar com o advogado e acabou.” 

Na casa da cuidadora Margarida Ferreira, o advogado dela, Paulo Roberto Alves, disse que fará "o possível para trazer a verdade real”. Quase metade das 48 mil ligações feitas no ano passado ao Disque 100, número da Secretaria de Direitos Humanos que registra denúncias em todo o País, foi de agressões contra os idosos. Os casos de violência praticamente triplicaram em apenas um ano. Em 2011 foram pouco mais de 8 mil casos denunciados. Em 2012 passou de 23 mil denúncias. A delegada que investiga a agressão à idosa, Catarina Noble, deve concluir o inquérito até o fim da semana. Ela vai pedir a prisão da cuidadora e da cozinheira. “Não tenho dúvida de que houve ali a prática de um delito considerado tortura”, ressalta.