Maracanã: manifestantes protestam contra a demolição do estádio Célio de Barros

Depois de um sábado tenso por conta do cerco feito pelo Batalhão de Choque no Museu do Índio, o entorno do Maracanã voltou a receber um protesto neste domingo, desta vez contra a demolição do estádio de atletismo Célio de Barros.

Cerca de 80 pessoas estavam presentes. Índios e simpatizantes da causa indígena acampados na Aldeia Maracanã reforçaram a manifestação. Eles fizeram uma corrida simbólica em frente ao estádio e criticaram a intenção do governo de transformar o local em um estacionamento.

O professor de atletismo Adalberto Rabello, 61, estava à frente do protesto. Ele citou o mau resultado dos atletas brasileiros na última Olimpíada para lembrar a importância dos espaços de treinamento. “É uma covardia. Esse local é berço de grandes nomes do atletismo. A fortuna que vão gastar para demolir podia ser investida nos atletas”, lamentou Rabello.

A pista de atletismo do Célio de Barros é parte da história do atleta olímpico, atualmente músico, Claudio da Mata, que estava presente no protesto. Naquela pista, em 1982, ele conquistou o campeonato sul-americano de salto em altura e estabeleceu novo recorde no continente.

“É muita falta de sensibilidade. Mais do que isso, é muita ignorância. É preciso massificar o esporte e eles começam destruindo estádios, não faz sentido. É preciso construir mais, e não destruir para construir outro”, criticou o ex-atleta.

Durante a manifestação Claudio cantou parte de uma música que escreveu para expor sua insatisfação com a intenção de demolir a pista. “Torcedor vem pra se divertir, não está nem aí para onde vai estacionar. Futebol é coisa do povo, ninguém tem carro novo”, diz um trecho.

Outro ex-atleta olímpico que estava presente era Nelson Rocha dos Santos, o Nelsinho. O campeão mundial de atletismo lamentou perder o estádio onde conquistou diversos títulos. “É especialmente triste pra mim. Aqui é o lugar ideal, central, de fácil acesso, ao lado da linha de trem. Os jovens das comunidades próximas que se destacam vêm treinar aqui. É triste”, lamentou Nelsinho.

Marta Magalhães dos Santos, 44, é professora de educação física no Colégio Pedro II. Ela se diz “envergonhada” com o fechamento da pista. “Onde as crianças que treino vão correr? Na Avenida Brasil, disputando com os usuários de crack?”, provoca.